Cláudia (nome fictício), que contou um pouco de sua história no início da matéria, vive hoje uma relação saudável. E ela atribui essa "transformação" ao fato de ter conversado com outras mulheres na mesma condição, por meio de um grupo de apoio. "Foi um alívio. Falar sobre essa dor e ver que o seu caso não é isolado é como receber um abraço. Você passa a enxergar de verdade, uma luz no fim do túnel", descreve.

A psicóloga Mirtes Menezes ressalta que conversar com alguém de referência, seja na família, na amizade ou na religião, é o primeiro passo para construir esse fortalecimento. Com isso, a mulher vai se aproximando também de uma ajuda profissional, seja individual ou em grupo.

Nas redes sociais, a união entre mulheres vem crescendo por meio de grupos de apoio, fortalecendo a ideia da "sororidade", termo semeado no universo virtual que exprime uma aliança entre mulheres baseada na empatia e companheirismo.

De acordo com a psicóloga, os grupos são um ótimo caminho para ajudá-las a se sentirem solidarizadas, o que minimiza qualquer sentimento que possam ter desenvolvido de culpa ou inferioridade. "Pois em um relacionamento abusivo vai sendo minada a percepção de direito, de que é possível estar em outra condição. Além disso, a autoestima é zerada, assim como o sentimento de autocompetência", destaca.

A psicóloga Fernanda de Mello Nogueira acrescenta ainda que chegar a um momento de empoderamento pode ser um longo caminho. "Pensando nisso, os grupos nas redes sociais sobre relacionamentos abusivos são ferramentas muito importantes. O acesso é facilitado e há muito conteúdo esclarecedor, educativo e acolhedor", conclui. (M.O.)

mockup