- TRANSTORNO EMOCIONAL - A exaustão entre lutas e medalhas
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domingo, 24 de maio de 2015
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Hoje, aos 34 anos, o ex-atleta de taekwondo Walassi Ollier Aires olha o passado com muito orgulho, mas saudade não é a palavra que define seu sentimento. Isso porque a escolha de deixar a modalidade há 11 anos, no ápice da carreira esportiva, foi um desejo próprio, alimentado por diversos fatores, em especial, a exaustão emocional.
"Foi uma série de acontecimentos que me desmotivaram. Sempre me cobrei muito e cheguei em um momento que sentia falta do meu tempo de lazer. Havia uma falta de reconhecimento, inclusive financeiro, mas a carga de estresse pesou bastante na minha decisão", comenta.
Aires teve o primeiro contato com o taekwondo aos 5 anos. Aos 10, se tornou faixa preta e o mais novo atleta da modalidade do País. As competições começaram a fazer parte de sua rotina, assim como as viagens. "Treinava todos os dias, às vezes o dia inteiro e era o que eu queria. Eu gostava", lembra.
Aos 12 anos, já havia conquistado medalha de ouro em um Pan-Americano e, nos anos seguintes, acumulou mais de dez títulos nacionais. Já com 17 anos, disputou a final do Mundial na Turquia e a pressão da torcida aliada à tensão do momento, foi um gatilho para Aires começar a repensar o esporte. "Não consegui ganhar, fui muito vaiado e foi um choque para mim. Foi desmotivador", diz ele, que nesse ano ganhou o título de melhor atleta de taekwondo do Brasil.
Em 2004, durante a seletiva para as Olimpíadas de Atenas, Aires abandonou a concentração e anunciou sua saída. "Eu tinha 23 anos. Cheguei a lutar depois em alguns jogos regionais em São Paulo, mas não via a hora de parar de vez. Era esse o sentimento", conta. Aires teve um acompanhamento psicológico por iniciativa da família, concluiu o curso de Educação Física e ainda atuou como personal trainner e também foi técnico da atleta Natália Falavigna.
Em 2011, ele mudou totalmente de área e abriu uma ótica. Hoje, dá aulas de taekwondo, mas muito mais por hobby. "É legal ter passado por isso, até mesmo para a formação do meu caráter, mas tive uma carga de estresse muito grande, foi tudo muito desgastante. O que ficaram foram as boas lembranças", conclui.

