- ALCOOLISMO - Excesso de álcool: da euforia à autodestruição
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domingo, 15 de março de 2015
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
O assunto não é novo, mas a abordagem tem se tornado cada vez mais necessária. Seja em casa, na escola ou entre amigos, o fato é que falar sobre o consumo de álcool nunca vai ser demais. Prova disso são as estatísticas que relacionam a juventude com o consumo de bebida alcoólica e episódios trágicos, como o que aconteceu há poucos dias em Bauru, no interior de São Paulo.
Um estudante de 23 anos, do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita (Unesp), morreu após participar de uma competição de vodca em uma festa onde outras bebidas também eram liberadas. Além da vítima, outros três universitários foram internados em estado grave, mas se recuperaram e já tiveram alta hospitalar.
O laudo do Instituto Médico Legal de Bauru apontou que o jovem sofria de cardiopatia. Com isso, acredita-se que a ingestão excessiva de álcool tenha potencializado a doença. A família nega que o estudante tinha alguma patologia.
A notícia escancarou, novamente, a relevância em conversar sobre o assunto. Muito mais do que condenar o ato, é preciso levar os jovens a rever a relação com a bebida. Mesmo que muitos não deixem de beber, podem, ao menos, torná-la mais lúcida, consciente e menos autodestrutiva.
E de que forma isso pode acontecer? Segundo a psicóloga Thalita Ideriha, o ponto chave é o processo educativo dentro de casa, na própria família. "Isso não garante que o jovem não vá experimentar e não vá ter um abuso, mas a probabilidade dele refletir sobre aquilo será maior", afirma.
Quando o filho manifesta o desejo de experimentar a bebida, os pais devem aproveitar a situação para explicar as consequências, reforçando as diferenças entre o beber socialmente e o beber abusivamente.
"Vale aproveitar esse momento de curiosidade porque o adolescente estará prestando atenção. Os pais podem comparar o consumo de bebida alcoólica com outras práticas que podem causar dependência e que estejam mais próximas da realidade deles. Os jovens não verão prejuízos a um curto prazo. Eles só vão se descobrir dependentes depois de anos de consumo", comenta.
Segundo ela, é importante desmistificar aquele imaginário de que a pessoa se torna melhor ao beber ou então, o mais comum, de que será mais aceito nas rodas de amigos. "É fazer com que os filhos aprendam que não é proibido, mas que é preciso saber beber. Se em algum momento o indivíduo achar que ao beber vai aliviar algo de ruim que está sentindo, passará a fazer isso com frequência e poderá chegar à dependência", aponta.
Com atuação na Fundação Tamarozzi (Cristma - Movimento Cristo Te Ama), entidade em Londrina que atende usuários de álcool e outras drogas e seus familiares, Thalita afirma que há sempre uma dificuldade em aceitar a doença, tanto pela própria pessoa quanto pela família. Além disso, os relatos das histórias deles se cruzam por terem se iniciado na adolescência.
"Desde pequenos, a gente aprende que beber é legal. Para o adolescente beber é bacana porque ele fica mais alegre, tem mais pessoas ao redor. Infelizmente, as pessoas são socialmente aceitas se ingerirem bebida", conclui.
O psiquiatra Arthur Guerra, especialista em dependência química e presidente-executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), reforça que muitas vezes, o jovem se sente com uma onipotência e não tem uma informação clara do quanto mal isso faz para o corpo.
"Além disso, eles convivem com a chamada pressão de grupo. Entre amigos, ele quer mostrar que é corajoso e começa a beber. Depois de algumas doses, ele não tem mais consciência do quanto está bebendo, pois o gesto é mais importante nessas horas do que o próprio efeito. Essa pressão leva a casos como o que houve em Bauru", lamenta.
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