Desde o último dia 30, quando foi palco do ataque de um tigre a um garoto de 11 anos, o Zoológico de Cascavel é citado em milhares de veículos da imprensa nacional e sites internacionais. Neste domingo o número de visitantes deve ser o dobro do normal, como já aconteceu na semana passada. Na última quinta-feira, a reportagem da FOLHA visitou o Parque Municipal Danilo Galafassi, que abriga o zoológico, para conhecer de perto a estrutura que mantém 370 animais de 67 espécies. Na área de 17,9 hectares há aves, répteis, mamíferos e felídeos (tigre, onças e leões). Apesar do espaço generoso e das centenas de bichos que ali habitam, é em frente à casa de Hu,o tigre de quatro anos mais comentado dos últimos dias, que o movimento é maior. Crianças, jovens e adultos o olham num misto de incredulidade, medo e admiração por sua beleza.

"É este o tigre?", diz a maioria, ao avistar a fera. Hu tem percebido a movimentação fora do normal, e se mostra estressado. Depois de alguns passos dentro do parque já é possível identificar sua presença, com roncos que soam como uma reclamação.

Para quem vai ao local pela primeira vez, o som tem a utilidade de guiar o visitante pelo grande parque, pois faltam placas indicativas sobre a localização das espécies. As pouquíssimas existentes, estão deterioradas.

No já famoso recinto de Hu, nada mudou nos últimos dias. Nem há sinais que remetam ao acidente que levou à amputação do braço do garoto, um morador de Sorocaba (SP) que visitava o zoológico com o pai e o irmão mais novo. Depois de ser mantido seis dias em isolamento, o tigre voltou a circular pelo espaço de 194 metros quadrados. Ele parece incomodado com a impossibilidade de sumir dos olhos curiosos dos visitantes. Anda sem parar de um lado para o outro e resmunga, antes de resolver se recolher na parte mais escura e protegida de sua 'casa'. Quando um grupo de estudantes que conhece o parque em companhia de professores chega para conhecê-lo, ele se recusa a dar o ar da graça.

O médico veterinário Valmor Passos, responsável técnico do zoológico, afirma que Hu nunca se incomodou com a presença dos visitantes. Mas nos últimos dias ele tem se mostrado irritado, principalmente com a entrada de veículos da imprensa no parque. "Ele nunca apresentou sinais de agressividade", garante o veterinário, contrariando o que diz o antigo dono do tigre (leia na página 12). Para Passos, a forma como os abrigos dos felinos foram construídos não representam perigo, desde que os alertas contidos nas placas sejam respeitados. "Na época da construção, pensou-se na possibilidade do animal colocar as patas para fora da grade, e não o contrário. Tanto que há a cerca para impedir a aproximação das pessoas", argumenta, referindo-se ao obstáculo transposto pelo garoto que sofreu o ataque. Ali, placas de aproximadamente 25 cm x 20 cm trazem os dizeres "Perigo! Não ultrapasse".

"Como vamos pensar que alguém, em sã consciência, vai entrar e colocar a mão ali?", questiona Passos, visivelmente transtornado com o ocorrido há pouco mais de uma semana. Ele acredita que Hu chegou ao seu limite de estresse quando mordeu a mão do visitante. "Pelo que vimos, ele até demorou para reagir e acontecer a tragédia."

O veterinário explica que o parque conta com sete guardas patrimoniais durante o dia e três à noite, que percorrem todos os setores para evitar problemas como depredações e uso indevido dos espaços. "No momento não temos monitores para o público em geral", admite o veterinário. Apenas os grupos de estudantes contam com estagiários treinados para acompanhá-los durante a visitação. A reportagem conversou com o guarda que trabalhava no dia do ataque. Ele disse que estava no setor dos macacos, a cerca de 500 metros dali, e não ouviu nada de anormal. "Quando me aproximei, já tinha acontecido tudo."

Ao todo, o setor dos felídios conta com seis recintos, onde encontram-se um leão, três leoas, um tigre, duas onças pardas e uma onça preta. Os espaços variam de 194 metros quadrados a 87 metros quadrados. "Tudo aqui está dentro das normas do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Também temos documentada a aprovação por parte da Sociedade Brasileira de Zoológicos", diz Passos, lembrando que em quase 40 anos de existência do zoológico, foi a primeira vez que um acidente de grande magnitude aconteceu. Antes disso, apenas um macaco de vida livre, que habita uma reserva de mata ao lado, mordeu o dedo de uma criança, no ano passado.

O veterinário revela, porém, que a administração do parque cogita colocar tela malha 2, mais fechada, sobre as grades dos felídios, mas ainda não tem data para isto. Para este final de semana, que deve novamente registrar um aumento de 100% no número de visitantes no zoológico, a exemplo do que aconteceu no domingo passado, foi requisitado apoio da Guarda Municipal e da Companhia de Trânsito.

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