Voluntariado no coração da Amazônia
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sábado, 25 de novembro de 2017
Gina Mardones<br>Reportagem Local 

O barco desliza calmamente sobre as águas do Rio Solimões enquanto seus passageiros, voluntários de uma missão humanitária ao Amazonas, descansam: a exaustão se deve a uma semana intensa de trabalho com comunidades ribeirinhas. Mas, pelo mesmo motivo, eles também estão realizados. E assim termina mais uma viagem do Barco Hospital Metodista.
No mês de agosto, 22 voluntários - médicos, enfermeiros, dentista, educador, advogado do Paraná, incluindo pessoas de Londrina, e do Rio de Janeiro deixaram casa, família e trabalho para atender cinco comunidades ribeirinhas da região do Alto Manaquiri, estado do Amazonas. Ao todo, eles realizaram aproximadamente 500 atendimentos médicos e odontológicos, além de atividades pedagógicas com crianças, palestras sobre higiene bucal, sexualidade e orientações na área do direito previdenciário.
Esta não é primeira vez que uma equipe de Londrina se dispõe a participar da missão. O médico Anderson Urbano, por exemplo, voluntariou-se pelo segundo ano consecutivo. "Muitos podem me questionar o motivo de ir tão longe para ajudar, mas acredito que na minha comunidade local existam muitos projetos para dar suporte e a Amazônia é um lugar carente de atendimento médico", argumenta.

Enquanto os serviços eram prestados, a educadora infantil Danielle Califani coordenava as atividades com as crianças, como teatro, música e contação de histórias. "Trabalhar com as crianças ribeirinhas é sempre um desafio, principalmente para prender a atenção delas. Como são muito livres, gostam de nadar, correr, e subir em árvores. Procuramos nos adaptar à cultura deles e não o inverso."

Na pequena Piauí, umas das comunidades visitadas e que fica há mais de 12 horas de barco de Manaus, a professora Jéssica Oliveira Silva, 26, sorri ao receber algumas das doações para a escola. Jéssica conta que o acesso dos moradores a serviços como saúde e assistência social é sempre difícil.
Para ser atendido no município mais próximo, eles precisam percorrer um trajeto por terra que pode levar até 2 horas. "Para nós é uma imensa alegria quando o barco vem porque é muito difícil receber toda essa atenção. Aquilo que muitas vezes o poder público não oferece, a missão consegue, de certa forma, suprir", relata a professora.


A missão do Barco Hospital impressiona não apenas pelo objetivo, mas também pela chance dos voluntários vivenciarem uma experiência social completamente diferente da realidade de origem. Para a fisioterapeuta Larissa Oliveira foi a oportunidade de conhecer as necessidades de pessoas carentes de atenção em vários sentidos. "Além de nosso trabalho, conseguimos estabelecer laços de amor, solidariedade, afetividade e plantar uma sementinha de novos sonhos no coração daquelas pessoas."
Enquanto o barco retorna, o dentista da equipe do Rio de Janeiro, Lucas Teixeira Bahia, contempla a paisagem. Ele foi o único profissional da odontologia desta missão e sua jornada chegava a 10 horas diárias. Apesar do trabalho intenso, o dentista afirma que jamais esquecerá os lugares e as pessoas que conheceu. "Sempre quis fazer algo que marcasse minha vida profissional, principalmente sendo da área da saúde e sabendo dos problemas de nosso País. Sabia que seria uma das experiências mais incríveis da minha vida. Não existem palavras para descrever esse trabalho; só existe uma maneira de sentir o que eu senti: indo", conclui.

Trabalho de quase duas décadas
O Barco Hospital Metodista é um projeto vinculado à Igreja Metodista do Brasil com objetivo levar atendimento médico, odontológico e suporte educacional, social e também espiritual às comunidades indígenas e ribeirinhas do Amazonas.
Atuante há 17 anos, o barco percorre de fevereiro a meados de setembro duas rotas estabelecidas: região de Autazes, onde vivem comunidades indígenas, e região do Alto Manaquiri, habitada por ribeirinhos.
De acordo com o coordenador do Barco Hospital, pastor Max Maia, o projeto atende anualmente cerca de mil famílias e os meses de seca, entre setembro e janeiro, são dedicados à manutenção da embarcação.
Para participar é preciso montar equipes de até 20 pessoas ou se encaixar em um dos grupos em formação. Cada voluntário deve arcar com os custos da viagem, o que inclui passagem e uma taxa para cobrir despesas referentes aos cinco dias de navegação, incluindo refeições, pagamento da tripulação e o combustível da embarcação.
Outras informações podem ser obtidas na página do Barco Hospital Metodista no Facebook ou entre em contato pelo email: [email protected]. (G.M.)


