Vizinhos reclamam de problemas com doenças e sujeira
Morador há 30 anos do bairro Tomáz Coelho, em Araucária, o aposentado Romário Habinoski disse que sua qualidade de vida piorou depois que se instalaram as empresas Cocelpa, Berneck e Ultrafértil na região. ''Antes parecia que vivia em uma chácara, mas agora, por causa da poluição, gasto R$ 250,00 em remédio para tratar a rinite alérgica da minha mulher, que surgiu junto com o funcionamento das fábricas'', disse.
Habinoski reclamou que os gases emitidos por essas empresas foram com os anos destruíndo a saúde de sua família, bem como a sua propriedade. ''Antes tinha muitas frutas e flores na minha casa, mas nos últimos cinco anos tudo morre no pé'', queixou-se. ''Para que minha mulher não fique mal, tenho que mandar ela para praia, onde ela fica três meses para acalmar crises respiratórias'', afirmou.
O aposentado disse que está sendo obrigado a viver com a janela fechada. ''O cheiro das indústrias é muito forte, dá até enjôo'', reclamou a dona-de-casa Rosânegla Neckli, que vive nos fundos da empresa de conglomerados Berneck, no bairro de Capela Velha, em Araucária. Ela disse que a poluição da empreas suja tudo. ''Para poder secar a roupa tenho que pendurar na hora em que o vento não traz sujeira para cá, senão a roupa branca fica imunda'', reclamou. Na casa dela, dois de seus três filhos estão com problemas respiratórios.
Já o operador de máquinas Irineu Bloch, que vive no bairro Hauer, em Curitiba, disse que seu problema é a fábrica Campo forte. Ele disse que empresa envasa seus produtos de noite, formando uma nuvem de poeira que seca o nariz e resseca a garganta, além de cobrir móveis e roupas com um pó branco. ''E já cansei de reclamar para a prefeitura, que não faz nada.''(I.R.)





