VIVENDO COM MEDO Índice de desobiência à ordem judicial é alto
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
Michelle Aligleri <br>Reportagem Local 
No primeiro semestre de 2011 foram instaurados 489 inquéritos de casos de violência doméstica na Delegacia da Mulher, em Londrina. Destes, 26 resultaram em prisões em flagrante e outros oito tiveram pedido de prisão preventiva. No mesmo período foram registrados 154 pedidos de medidas protetivas.
A FOLHA apurou que é alto o número de desobediência às medidas protetivas. E que estas situações sempre são acompanhadas de outros crime, como injúria ou agressão. A delegada Elaine Ribeiro foi procurada mas estava de férias.
Na sala quente da delegacia, uma senhora de meia idade sentada com semblante tranquilo. Maria (nome fictício) estava lá para testemunhar a favor de uma amiga que é vítima de violência doméstica. Sabendo como é viver com medo, decidiu incentivar a amiga a fazer o mesmo que ela: denunciar o agressor. Há um ano, ela vive esquivando-se do ex-namorado, um homem que ela considera boa pessoa quando não está alcoolizado.
''Quando ele bebe, fica completamente louco. Já colocou uma faca no meu pescoço e deu um tapa na minha cara'', lembra. Maria conseguiu medida protetiva que impede o agressor de se aproximar dela. Mesmo assim, ele descumpre a decisão judicial. ''Certa vez, ele ligou dizendo que iria na minha casa. Nesse dia, dormi em uma amiga. Na manhã seguinte, me deparei com a porta de casa arrombada.'' A partir do episódio, foi até a delegacia, registrou queixa e pediu a medida protetiva.
A mulher, que tem quatro filhos casados e antes foi casada 24 anos sem nunca apanhar do marido, chora ao dizer que não admite viver nesta condição. ''Eu tenho medo, vivo arisca. No começo eu tinha medo de ir trabalhar, de chegar em casa. É muito triste, eu sei o que essas mulheres passam'', afirmou referindo-se às outras mulheres que aguardavam na sala da delegacia. ''Falaram pra eu ir ao CAM, mas eu não preciso de psicólogo, eu preciso é de proteção. Quem precisa de psicólogo é ele'', desabafou.
Para ela, a medida protetiva traz uma falsa sensação de segurança. ''Este papel não garante que ele não vai fazer nada comigo. Se eu chamar a polícia significa que ele já está próximo de mim. Até a polícia chegar, ele pode fazer o que quiser. Não vai ter medida protetiva que vai me proteger.''


