Vivendo à margem da margem
Professor aposentado do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Sérgio Adolfo, cujo trabalho de mestrado foi sobre a cultura cigana, deparou-se com a situação do grupo há um mês. ''Em conversa com eles demonstraram o interesse de se instalar em Londrina e me perguntaram se eu poderia auxiliá-los na busca de um terreno'', conta.
Disposto a ajudar, Adolfo procurou pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''Fui direcionado à Secretaria de Ação Social que, por sua vez, disse que não era lá, mas na Secretaria de Fazenda. Por iniciativa própria, procurei a Gestão Pública da Promoção de Igualdade Racial, cuja gestora intermediou e indicou um local onde os ciganos poderiam acampar'', resume o professor. Após a peregrinação de autarquias e órgãos, o grupo mudou para o terreno localizado no Conjunto João Paz (Zona Norte de Londrina).
No dia seguinte, entretanto, guardas municipais disseram que o grupo teria de sair do local. ''Funcionários da Companhia de Habitação (Cohab) também foram até lá dizendo que não poderiam permanecer'', completa, dizendo que a alegação foi de que outros dois grupos já haviam sido removidos do local. Dois outros terrenos foram sugeridos, mas um pertencente à União e outro particular, da Aeronáutica.
Com o intuito de fazer tudo legalmente, uma carta foi enviada ao prefeito com o pedido. A Procuradoria do Município limitou-se a dizer ''que a solicitação do grupo não tinha nenhum amparo em lei.'' A reportagem pediu novamente uma posição do Município e não obteve retorno. O grupo resolveu voltar à Arapongas, já que lá não teve problemas de permanência com a administração. ''Eles vivem à margem da margem. São igonorados'', lamenta o professor.
Segundo a gestora Fátima Beraldo, nesta situação específica houve um desencontro de informações e uma tensão da comunidade no local do acampamento que culminou na saída do grupo da cidade. ''Assim que as barracas foram montadas, a Prefeitura recebeu diversas reclamações, até porque, o local havia sido invadido por outros grupos anteriormente'', diz.
Implantada em julho de 2009, a Gestão encabeça, sobretudo, questões ligadas ao movimento negro e afrodescendente e indígenas. ''Há uma vaga disponível no Conselho Municipal para um representante cigano que nunca foi ocupada. Precisamos conhecer seus problemas para evoluirmos nas discussões e construirmos as políticas que os atendam adequadamente.'' (M.T.)





