Vítimas sentem-se responsáveis
Se por um lado as mudanças na lei têm incentivado as mulheres a denunciarem agressões como o estupro, por outro ainda permanecem arraigados valores seculares, carregados de machismo. Em muitos casos, a denúncia não acontece porque a mulher é levada a sentir-se responsável pelo crime, ou por trauma, vergonha e mesmo por falta de estrutura nos lugares onde vivem.
Justamente para derrubar mitos como o da culpa feminina é que mulheres do mundo começaram a se unir, nos últimos anos, em torno de um movimento de nome inusitado, a Marcha das Vadias (SlutWalk), que nasceu em Toronto, no Canadá, em 2011, e rapidamente se espalhou para outras cidades e países. A marcha surgiu como um protesto em resposta ao comentário de um policial que, chamado a dar uma palestra em uma universidade sobre prevenção da violência, deu a seguinte orientação aos jovens presentes: Se a mulher não se vestir como uma vadia, reduz-se o risco de ela sofrer um estupro.
Em Londrina, a marcha acontece no próximo sábado, com o tema Meu corpo, minha revolução. Segundo uma das organizadoras locais do movimento e psicóloga social do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Amanda Gaion Pedro, entre as bandeiras defendidas está a de que, independentemente de como a mulher se vista, construa sua aparência ou se comporte, ninguém tem o direito de tocá-la sem a sua permissão. Nossa luta é pelo respeito mútuo entre homens e mulheres. Pensar que a mulher é que tem que se proteger e resguardar-se, inclusive na forma de se vestir, e não o homem que tem que respeitá-la, é uma forma bastante machista de pensar, defende Amanda. (S.L.)





