VIOLÊNCIA - Se não for no futebol, vai ser em outra coisa
Márcio Neman do Nascimento, psicólogo social e professor de Psicologia na Unopar, aponta que a violência no futebol surge do extravasamento da agressividade do ser humano.
"Sempre houve violência, guerras, algum tipo de agressividade em alguma forma. Uns colocam essa agressividade no sexo, outros no trabalho, e assim por diante. Pode haver dois fatores associados: grupal, de pessoas que se unem em torno de um objetivo, como grupos nazistas, e (o comportamento de) multidão, o fenômeno que ocorre quando alguém começa um movimento e os outros vão junto. No jogo de futebol, há a questão do grupo, porque as pessoas da torcida organizada fazem parte de uma facção, e o comportamento de multidão", explica.
Nascimento descreve que há elementos que facilitam o desencadeamento dessa violência. "A violência sempre é multidimensional. Em Joinville, havia o jogo, a falta de policiamento, as organizadas. E existe a questão do gênero. Ainda hoje, a afirmação da masculinidade é associada à violência", explica. "Além disso, nós não vemos as pessoas envolvidas serem punidas."
Nesse contexto, os confrontos entre organizadas estão longe de representar uma briga por uma causa como o amor por um time de futebol. "Se não for no futebol, eles (torcedores) vão aplicar essa agressividade em outra coisa", diz o psicólogo. (F.G.)





