No primeiro período em que foi o mandachuva do Atlético, entre 1995 e 2008, quando exerceu diferentes cargos na direção do clube mas sempre foi o supremo mandatário, Mario Celso Petraglia defendia distância das organizadas. Entretanto, mudou de postura durante a campanha que o reconduziu ao clube, em 2011. Visitou a sede da Fanáticos para apresentar seu projeto de gestão e foi apoiado pela organizada no pleito. Depois, prometeu um espaço exclusivo para a uniformizada na nova Arena da Baixada, que está sendo reformada para a Copa do Mundo de 2014.
Outra prova dessa proximidade aconteceu durante os protestos de junho. Manifestantes foram até a Arena da Baixada, cujas obras estão sendo em parte financiadas com dinheiro público, e entraram em confronto com integrantes da Fanáticos. Em nota oficial, o Atlético elogiou a organizada. "A presença e o comportamento dos Fanáticos com desprendimento, disposição e amor coibiu e protegeu o patrimônio atleticano de um ataque sem precedentes", dizia o texto.
No tumulto de 2009 no Couto Pereira, vários torcedores do Coritiba que participaram do quebra-quebra usavam camisas da organizada Império Alviverde. Demonizada logo após o incidente, a uniformizada hoje goza de prestígio junto à cúpula do clube. No ano passado, o presidente do Coxa, Vilson Ribeiro de Andrade, esteve na festa de aniversário de 35 anos da Império e fez um discurso inflamado.
"O Coritiba existe porque vocês são responsáveis. Nos momentos mais difíceis, eu olho para a Império e ela é a única que não vaia. Isso me enche o coração de alegria. Nós estamos juntos. Vocês sempre foram leais no amor, na alegria, na felicidade, mas também nos momentos de tristeza. Nós da diretoria estaremos sempre com vocês", disse na ocasião.
Recentemente, o maior ídolo do Coritiba, o meia Alex, elogiou a uniformizada em entrevista à revista Placar. "Organizada é um espetáculo. Os caras estão sempre aí, participando. Mesmo com as dificuldades deles, estão tentando puxar a coisa para a frente. Já a grande maioria do torcedor comum, que vem com o radinho, parece que torce para que tudo dê errado", afirmou o jogador.
O Paraná Clube, terceira força do futebol curitibano, e o Londrina, maior clube do interior paranaense, têm torcidas organizadas que nunca protagonizaram episódios de violência de repercussão internacional. Mas elas se assemelham à Fanáticos e à Império na proximidade com os clubes.
Em agosto, a Fúria Independente, uniformizada do Paraná, chegou a colocar sua marca na camisa do time em dois jogos da Série B do Brasileiro. O valor do patrocínio não foi divulgado.
No Londrina, a organizada Falange Azul mantém sede nas dependências do Vitorino Gonçalves Dias, estádio administrado pelo Tubarão, e tem duas cadeiras no Conselho Representativo do clube. No programa sócio-torcedor do Londrina deste ano, integrantes da Falange Azul tinham direito a pagar a mensalidade mais barata, de R$ 39, enquanto torcedores "comuns" eram obrigados a desembolsar valores entre R$ 49 e R$ 99.

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