Veterana das detenções femininas de Londrina, Joana (nome fictício), 48, está presa pela vigésima vez por furto. Usuária de drogas desde os nove anos, ela começou a usar crack no tempo em que o entorpecente era extraído da cocaína pelos próprios usuários.
Apesar da dependência química, garante que nunca traficou e, nos furtos que cometeu, jamais usou uma arma. ''Eu comprava a droga e usava rápido, com medo de ser pega'', diz ela, que afirma ainda que estava ''reintegrada à sociedade'' e livre das drogas quando foi presa pela última vez. ''Recebi R$ 50 para levar um 'jumbo' (sacola) na cadeia. Quando abriram, tinha droga dentro'', comenta sobre a última detenção.
Mãe de quatro filhos - um deles viciado em drogas e assassinado aos 17 anos -, ela amarga o abandono na carceragem do distrito. ''Perdi meu marido e meus filhos acham que minha volta à cadeia foi traição. Não recebo sacolas e ninguém me visita'', lamenta.
A maior tristeza da vida de Joana foi ver o filho assassinado pelo envolvimento com o crack. ''Fiz de tudo para tirar ele do vício, mas não dei o exemplo, porque era uma escrava. Acabei enterrando meu filho.''
Da experiência de passar boa parte da vida em detenções femininas, ela garante que as companheiras de cárcere atuais são mais ousadas e destemidas. ''Elas não cometem crimes por necessidade, para sustentar os filhos, como acontecia há muitos anos. É pelo vício, pela necessidade de comprar drogas.'' (C.A.)

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