Vínculos e conversas são imprescindíveis
Apesar de todo apoio e companheirismo, as mudanças ocasionadas pela doença podem gerar momentos de estresse e conflitos entre a família e o paciente. Essa observação é relatada pela enfermeira Kátia F. Silva Barbosa, que entrevistou doentes renais crônicos e seus familiares (leia mais nesta edição) . Ela afirma que essas mudanças são desde a dieta alimentar até as dificuldades financeiras. "Muitas famílias têm o paciente em questão como fonte geradora de renda. Acho imprescindível a ajuda psicológica. Toda a família precisa contar com uma equipe multidisciplinar para conseguir estruturar esse cotidiano que a doença transforma", diz.
A psicóloga Érica Maria M. Soares, que atua na Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) da Irmandade Santa Casa de Londrina, avalia que nessas condições, "a família se vê obrigada a se organizar, como por exemplo, alguém assumir as despesas. Não tem outra forma porque a situação mexe com todos os membros da casa. Muitas vezes, aqueles que não podem contar com ajuda de um psicólogo, acabam se vinculando ao próprio médico ou enfermeiros e isso é muito bom", observa.
Também do Cihdott, a psicóloga Larissa Beatriz Andreatta aproveita para ressaltar a importância da conversa aberta e franca. "Cada família vai ter seu jeito de agir e encontrar uma saída. O mais comum é por meio da fé, da religião. E o apoio e incentivo nessa hora são fundamentais, seja de quem for", diz.
A atuação de Érica e Larissa, porém, não atinge os pacientes que estão na espera por um transplante e sim somente no pós-transplante. A enfermeira Ogle Beatriz Bacchi de Souza, coordenadora da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos (Copott) de Londrina e região, afirma que existe uma expectativa para que os ambulatórios tenham esse suporte multidisciplinar, com a presença de psicólogos, visando atender todas as necessidades dos pacientes.
"É importante até mesmo para levar o paciente a compreender o que ele está vivendo, trabalhar mitos e medos. No entanto, essa medida foge da responsabilidade do Copott e deve ser discutida entre as equipes de transplantes de cada hospital. Cada centro de transplante deve identificar os aspectos críticos de cada paciente e estabelecer um profissional para tal assistência", declara. (M.O.)





