Vila Rural de Foz será transferida
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domingo, 11 de fevereiro de 2001
Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
Criada em novembro de 1997, a Vila Rural Cataratas, em Foz do Iguaçu, será transferida de local devido ao fracasso do projeto de R$ 900 mil. As 74 famílias residem a 50 metros das linhas de transmissão de energia da usina Itaipu Binacional, o que inviabiliza a produção agrícola em virtude das restrições impostas pela hidrelétrica, além de supostas ameaças à saúde dos moradores.
A subsistência também tornou-se inviável por causa da construção do conjunto habitacional Cidade Nova, um programa de desfavelamento criado pela prefeitura. Segundo os agricultores, os vizinhos costumam roubar hortifrutigranjeiros dos lotes e impedem a criação de chiqueiros e galinheiros, alegando mau cheiro dos porcos e das aves.
Sem poder diversificar as lavouras e agropecuária, os agricultores, após três anos de reivindicações, levaram a administração do ex-prefeito Harry Daijó (PPB) a comprar uma nova área agrícola, situada no Alto da Boa Vista, bairro distante 20 quilômetros da unidade atual. A administração municipal afirma que a construção das casas será iniciada ainda neste semestre, conforme o repasse de recursos do Estado.
Enquanto aguardam a remoção do prefeitura, as 40 famílias que pediram transferência alternam a produção agrícola com bicos. O agricultor Adão Mendes dos Santos, 47 anos, é um deles. Ele conta que reveza os dias na lavoura com a travessia de cigarros de Ciudad del Este, Paraguai, a Foz, através da Ponte da Amizade.
Ganho uns 100 reais por mês como cigarreiro. Dá pagar as despesas mínimas, porque a produção de mandioca, milho, bata, couve, alface, mesmo, não dá dinheiro. As torres do linhão prejudicam o crescimento das plantas, reclama o iguaçuense, casado com a agricultora Maria Lourdes dos Santos, 45 anos, e pai de oito filhos, com faixa etária de 5 a 25 anos.
O agricultor José Irineu Maciel, 48 anos, optou pela criação de uma mercearia como alternativa à proibição da Itaipu Binacional de cultivar citros plantio de boa rentabilidade econômica. Como a gente iria sobreviver se não tivesse montado esse comércio? O governo deveria indenizar a gente pelo tempo perdido aqui, disse José, ao lado da mulher Rita de Fátima Maciel, 40 anos.


