Etimologicamente, clausura significa ''recinto fechado; o estado ou condição de quem não pode sair do claustro: voto de clausura; recolhimento; reclusão conventual.'' Dessa maneira, vivem muitos religiosos de diversas congregações, carismas e filosofias distintas ao redor do mundo. Tendo em comum a reclusão em mosteiros permeada a orações contínuas dos monges budistas tibetanos, as irmãs e freis do catolicismo vivem uma vida de renúncias e entrega, cada um à sua maneira.
Para a população leiga em geral, o modo de vida desses religiosos causa não só admiração, mas, sobretudo, curiosidade. Ao mesmo tempo, para outros, a clausura é uma alternativa alienante de isolamento. Uma coisa é certa: as dúvidas são muitas e, para quem trabalha com a notícia, não é diferente. Será que ficam ''presos'' em cubículos apenas meditando ou orando sem cessar? Como viver isolado do mundo, praticamente sem falar, em tempos de total facilidade de comunicação, e alheio ao bombardeio constante de informações?
Depois de algum tempo de conversas, a reportagem passou pelo muro de um mosteiro e pôde não só presenciar, mas vivenciar, um dia inteiro com as irmãs carmelitas descalças, no mosteiro ''Nossa Senhora de Guadalupe''.
Numa propriedade distante na zona sul de Londrina, construída em 2003, vivem onze religiosas da ordem católica ''Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo'': seis definitivas, quatro noviças e uma postulante. Bem próximo, fica o mosteiro dos freis carmelos, possibilitando uma colaboração mútua, principalmente na celebração das missas realizadas diariamente. No entanto, as propriedades são totalmente separadas e independentes, incluindo as atividades de cada um.
Vestidas de hábitos marrons, o que as distinguem no visual são basicamente os véus. As que usam o véu preto já fizeram o voto definitivo de suas intenções religiosas. As noviças, por sua vez, usam o véu branco e deverão ainda reafirmar seus votos a Deus, entre eles o de obediência, pobreza e castidade. A postulante está em período de experiência. Uma vez lá dentro, dificilmente têm contato com o mundo externo e as saídas são raríssimas ou em casos extraordinários. Não há férias e a rotina é a mesma todos os dias: sete encontros na capela para cânticos, leituras espirituais, rezas e orações coletivas.
A principal diferença entre as religiosas missionárias e as que vivem em um mosteiro é que as primeiras levam uma vida praticamente igual a dos leigos, como são chamadas as pessoas comuns. Podem exercer profissões, atuar na comunidade, viajar e têm direito a férias. Já as do mosteiro têm uma vida contemplativa e vivem o silêncio. O dia é totalmente regrado por horários estabelecidos, divididos entre trabalhos de manutenção da casa, artesanais e as orações. Vivem basicamente de doações de benfeitores e da venda de alguns poucos artesanatos.
Irmã Eliane Teresa do Amor Divino, vinda da cidade de Santa Maria (RS), faz parte da congregação há 18 anos e é a responsável pelo contato com o público externo. É quem atende o telefone, recebe visitas - que ficam apenas na ala da frente da casa. Foi ela quem abriu a porta que separa a ala da frente ao interior do mosteiro para que a reportagem pudesse ver todos os detalhes. ''Cada religiosa tem sua função na casa, que inclui cuidados na horta e dos animais, limpeza, cozinha e administração'', explica.
A primeira pergunta sobre a vida religiosa é feita: ''onde exatamente fica a clausura?''. ''Tudo isso é a clausura'', responde a irmã, apontando para a imensa área verde ao redor do sobrado central. Cada uma tem seu próprio quarto - que chamam de cela - com banheiro, cama e escrivaninha. Nas áreas de circulação externa existem jardins e árvores. Uma pequena capela ao lado da casa é o local mais frequentado. Há ainda locais como a ermida, uma espécie de microcapela para momentos de oração individual e a capela mortuária, onde ficam os túmulos das irmãs falecidas. Em Londrina, há apenas uma enterrada.

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