Quando alguém se aposenta, é comum ficar eurórico no começo e logo em seguida
sentir-se perdido. A rotina e as horas do dia que antes eram ocupadas com o trabalho agora ganham significado diferente. A renda é outro aspecto que deve ser considerado, já que dificilmente o salário será o mesmo. Para que esta passagem ocorra de forma mais tranquila, a equipe multidisciplinar do Programa de Preparação
para a Aposentadoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM) orienta servidores prestes a se aposentar. "Nosso foco é ajudá-los com educação financeira, de modo
que consigam viver de acordo com sua nova renda. Além disso, trabalhamos a questão emocional para que eles comecem a pensar num projeto de vida para dar início depois da aposentadoria", explica a coordenadora Clisalva Gomes da Silva, cujo projeto já atendeu 50 funcionários. O mote do trabalho pode e deve ser estendido a todas as pessoas que estão a caminho dessa nova fase da vida. Segundo ela, o trabalhador precisa começar a minimizar seus gastos um período antes da aposentadoria. "O ideal é que já faça uma simulação de qual vai ser o salário no futuro e iniciar uma vida dentro desse orçamento." Com relação à consequência emocional, ela sugere que seja traçado um projeto de vida em que o aposentado "se sinta valorizado socialmente". "Aí cabem inúmeras atividades, inclusive as de trabalho que já exercia. Mas, percebemos que quando a situação financeira está mais equilibrada, dificilmente as pessoas continuam no trabalho", diz.

Conforto conquistado
Eles não representam a maioria dos aposentados brasileiros, mas têm uma vida que muitos gostariam de ter. Mirian Carrara, de 61 anos, e Amauri Seifert, de 59, não levam uma vida luxuosa, porém, na chácara onde moram há 15 anos no Patrimônio Bratislava, em Cambé, desfrutam da tranquilidade que a natureza proporciona, além de bastante conforto. "Aos poucos, fomos construindo cada pedaço e deixando como gostaríamos. Hoje, está do jeito
que planejamos quando ainda era apenas nosso espaço de final de semana. De lazer, passou a ser nossa moradia oficial", lembra Mirian, auditora fiscal aposentada da Receita Federal há 17 anos. Amauri, que se aposentou um ano depois da esposa como auxiliar administrativo do INSS, conta que, desde então, não parou com o ritmo de vida agitado. "Nunca fiquei no banco da praça jogando xadrez; fui realizar outros projetos. Como gostamos muito de viajar, aproveitamos o tempo livre para conhecer lugares que não tínhamos visitado. Fui ainda concretizar o meu sonho de cursar uma faculdade e me formei em Arquivologia na Universidade Estadual de Londrina (UEL)", conta. Mirian também fez sua pósgraduação e continua os estudos
na língua inglesa participando de grupos de conversação e aprimoramento. No meio disso tudo, tiveram tempo de descobrir uma nova profissão: fabricantes de pimenta
artesanal. "Começou de forma despretensiosa, quando plantamos algumas pimentas em nossa horta. Como nasceram muitas, fizemos algumas conservas e distribuímos aos amigos. A partir daí, o negócio foi se profissionalizando e crescendo de tal forma que unia o útil ao agradável, ou seja, viajávamos e trocávamos cariedades de novas sementes de pimenta. Atualmente, temos uma fábrica de processamento que possui vários representantes", resume Amauri.

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