O trânsito, sem dúvida, é um dos espaços em que a gentileza quase não é praticada. Se não fossem as leis e multas rígidas, as atitudes poderiam ser ainda piores, já que a individualidade e a intolerância são recorrentes. No teste aplicado pela reportagem neste ambiente, duas situações foram realizadas: chamar um motorista para que entrasse em nossa vaga de carro numa rua movimentada e parar o veículo em movimento a fim de abrir passagem para a conversão de uma motorista. Em ambos os casos, a reportagem foi agradecida antes da revelação.
Na primeira situação, o engenheiro civil Márcio Soléo afirmou que não havia percebido a ''doação'' da vaga. ''Achei que vocês estivessem saindo do lugar e me avisaram. Algumas pessoas têm esse costume de dar um toque quando veem outra procurando uma vaga. Mas, sair sem motivo para dar o espaço é mais difícil'', comentou. Apesar disso, ele admitiu que sentiu-se bem com a atitude e pensou como seria beneficiado gratuitamente. ''Se não nos ajudarmos uns aos outros, o trânsito vai ficar pior do que já está. É preciso nos atentarmos aos pequenos gestos.''
Já na segunda ocasião, a reportagem estava do lado esquerdo da pista e deu passagem para uma motorista em paralelo, pois precisava entrar em nossa frente para, então, fazer uma conversão à esquerda. O agradecimento veio antes mesmo de terminar a manobra e, na próxima parada em que os veículos estavam juntos, novamente. Questionada sobre nossa atitude, a professora de pilates Fabiana Frasson disse que ficou extremamente feliz com o fato de termos dado passagem. ''Se eu não entrasse naquela rua, teria de dar a volta no quarteirão inteiro.''
Em cima da hora para o trabalho, a jovem disse que se não fosse a gentileza, atrasaria o início da aula. ''Estava torcendo para que alguém me deixasse passar.'' Sobre o comportamento dos motoristas no trânsito, ela avalia como hostil. ''Às vezes, são segundos para fazer uma gentileza que não vai custar nada, mas as pessoas só pensam em si mesmas.''

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