Para checar o nível de boa vontade dos servidores que atendem nos postos de saúde, a FOLHA visitou duas unidades básicas (UBS) de Londrina. O teste era obter um atestado de vacinação de uma criança sem apresentação da carteira de saúde, o que demanda um pouco mais de trabalho para os funcionários. A declaração é exigida pelas escolas no ato da matrícula.
  Com uma abordagem ‘‘normal’’, sem grosseria, mas sem gentileza, a repórter tentou, sem sucesso, retirar o documento no primeiro estabelecimento, onde foi informada que não era possível emiti-lo.
  Na UBS da Vila Portuguesa (área central), a repórter foi mais gentil que o usual ao explicar por que estava pedindo o documento, enfatizando que não sabia da necessidade de apresentar a carteira para obtê-lo e esclarecendo que precisava do atestado naquele dia em função dos prazos da escola da filha. Diante da gentileza na abordagem, os funcionários se dispuseram a ajudar.
  Num processo que durou menos de meia hora – num período de bastante movimento no posto –, os atendentes verificaram as vacinas tomadas e identificaram que estava faltando uma aplicação. Gentilmente, a auxiliar de enfermagem Mara Rossinholi avisou que não poderia emitir o documento se a vacina não fosse ministrada.
  A repórter, então, agradeceu o empenho da equipe e anunciou que se tratava de uma reportagem. Ao ser parabenizada pelo bom atendimento, Mara foi aplaudida pelos usuários da sala de espera do posto, que alardearam a cortesia diária da equipe. Surpresa, a auxiliar garantiu que, na UBS, a máxima ‘‘gentileza gera gentileza’’ é uma verdade inquestionável.
  ‘‘Quando o paciente é educado, a gente faz mais do que pode para resolver o problema dele. Agora, quando a pessoa é grosseira, o medo de receber uma ofensa até nos impede de atender bem’’, avaliou. Apesar de sempre procurar fazer o melhor possível, ela conta que já ouviu muita grosseria, principalmente quando não há vagas para atendimento médico imediato. ‘‘A gente tenta explicar o motivo, mas nem sempre ele é aceito’’, lamenta.
  A pensionsita Maria Lucia do Carmo, 54, é usuária da UBS e garantiu que nunca teve problemas para ser atendida no local. ‘‘O pessoal é educado e faz o possível para atender bem’’, disse. O bom humor da senhora, entretanto, não deixa espaço para grosserias. ‘‘Alegria é o que mais tenho na vida. Afinal, tristeza não paga dívidas’’, resumiu.

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