Diante da alta nos preços dos alimentos e outros produtos vendidos no supermercado, londrinenses apostam na pesquisa e na organização financeira para tentar driblar a carestia. Na família Oliveira, as irmãs Lúcia Helena e Vera Lúcia e a cunhada Andreia vão às compras todas as semanas para aproveitar as ofertas. Também frequentam lojas atacadistas para ganhar desconto na escala e, além disso, escolhem marcas menos tradicionais para não desequilibrar o orçamento com esta despesa que, segundo elas, está até R$ 300,00 mais cara.
Feijão, molho de tomate, enlatados, sabão em pó e farinha de trigo são alguns dos itens que não contam com a fidelidade das donas de casa com relação à marca. Elas também evitam comprar produtos que estão acima do valor que consideram aceitável. Por isso, há algumas semanas, deixaram de por tomate e batatas no carrinho. "Também estou comendo mais frango, porque é versátil e dá para fazer muitas receitas. Faz muito tempo que não levo carne bovina para casa", conta Lúcia Helena.
Para garantir descontos no preço do atacado, elas se cotizam e dividem fardos de alguns produtos. "Aproveitamos quando está em oferta", revelam. Pesquisar preços e só comprar quando o valor é justo é o segredo, segundo elas, para driblar a carestia.
A intérprete de libras Mary Dutra e o agente de endemias Igor Angélico apostam na organização para conviver com a alta dos preços sem deixar de comprar todos os produtos necessários para o dia a dia do casal e do filho Enzo, de quase dois anos. Mary conta que costuma fazer uma compra mensal de alimentos não perecíveis, material de limpeza e tudo que pode ser estocado. Além disso, uma vez por semana faz compras de verduras, frutas, carnes e outros itens perecíveis. Como usa uma planilha para controlar as contas, ela tem os números na ponta do lápis.
Até o ano passado, a compra mensal da família era de R$ 300,00 e as compras semanais não passavam de R$ 50,00. Atualmente, ela gasta R$ 450,00 e R$ 80,00, respectivamente, comprando exatamente os mesmos itens. "Estipulamos um limite para cada compra e nunca extrapolamos. Levamos a calculadora para não estourar o orçamento", afirma ela, que está controlando o consumo de energia elétrica e assinou um pacote de TV a cabo mais barato para conviver com os preços altos. "Também passamos a fazer mais programas gratuitos com o nosso filho. Antes, íamos muito a parquinhos pagos. Atualmente damos preferência a passeios em áreas públicas e ao ar livre", relata.
Outro item que está pesando no bolso do casal é o combustível, que passou de uma conta mensal de R$ 120,00 para R$ 250,00. Para lidar com essa realidade, Mary e Igor procuraram alternativas para conseguir renda extra. Ela vende cosméticos e ele faz frilas na área de artes visuais, na qual é formado. "Só com salário não daria para sobreviver. Essa renda extra ajuda bastante", diz. (C.A)

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