Vida mais cara - Dieese afasta risco de inflação generalizada
O economista Fabiano Camargo da Silva, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), avalia que a sensação de carestia depende do tipo de consumo da família, mas não significa que o País esteja vivendo uma pressão inflacionária generalizada. "Quem consome alimentação fora de casa, paga mensalidade escolar ou usa passagens aéreas está sentindo mais", exemplifica.
O técnico reforça que o teto da meta inflacionária para 2014 é 6,5% e a projeção do governo é ficar dentro deste teto. "Não há descontrole", insiste, aproveitando para criticar os "formadores de opinião" que falam em inflação generalizada. "Este discurso é falacioso", argumenta. Observa, ainda, que o governo pode usar alguns mecanismos para controlar a alta nos preços, como a retirada de incentivos fiscais para controlar o consumo.
Valmor Rovaris, diretor superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), analisa que a venda nos supermercados continuam crescendo em valores reais, na ordem de 3% a 4% no Paraná em 2014, indicando uma tendência de estabilização. No ano passado o crescimento foi de mais 5% e, em 2011, de mais de 10%. "Percebe-se também em 2014 um aumento maior em volume, do que preço, indicando um mercado mais competitivo, com tendência de substituição de produtos de maior valor agregado por mais barato. Hoje, o consumidor está em um momento de estabilidade, tanto na curva de crescimento do poder aquisitivo, quanto na curva de crescimento de consumo de produtos de maior valor agregado por produtos mais baratos. Agora, se a tendência dessa curva é se manter estável, regredir ou aumentar, vai depender do poder de compra do consumidor, do credito e da economia", afirma.
Ele ressalta, também, que o setor ainda não percebe mudança no comportamento do consumidor com relação a periodicidade de compras, o que indicaria medo da inflação. "Ainda não existem compras voltadas ao estoque em casa. Existe sim o consumidor que realiza uma compra maior, com alimentos não perecíveis e mercearia para um determinado período normalmente em lojas de formatos maiores, e complementa sua compra, durante a semana, com produtos perecíveis, frutas e verduras em supermercados de conveniência", revela. (C.A.)





