Veranico não tira rigor deste inverno
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sábado, 21 de julho de 2001
Maigue GuethsDe Curitiba 
A sensação da maioria da população paranaense, de que o inverno deste ano está mais ameno do que o de anos anteriores, não é verdadeira. Com exceção do ano passado, quando o frio castigou para valer, registrando várias geadas em todo o Estado, o inverno atual é o mais forte desde 1996.
Palmas, na região Sul, município mais frio do Estado, por exemplo, chegou a registrar 6,4 graus negativos em julho de 2000, contra apenas 0,4 grau negativo este ano. Em compensação, as temperaturas mais baixas registradas este mês são bem menores do que a média mínima de julho entre 1996 e 99, que em Palmas ficou entre 8 e 9 graus.
Apesar de o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) ter previsões apenas para cinco dias, não há indícios de que o inverno/2001 venha a ficar mais rigoroso, trazendo novas geadas este ano. A tendência é que, a partir de agosto, com a proximidade da primavera, as massas de ar frio se tornem mais escassas, elevando as temperaturas e reduzindo a possibilidade de que uma dessas massas atinja a região com muito rigor.
Para este início de semana, entretanto, a Simepar prevê uma pequena queda da temperatura no Paraná. Desde sexta-feira, uma frente fria vinda do sul trouxe chuva ao Litoral do Estado e norte de Santa Catarina, além de ventos constantes em Curitiba.
Com isso, a instabilidade deveria prevalecer em todo o Estado, com pancadas de chuvas esparsas até hoje. Uma massa polar vinda do sul também provocou queda nas temperaturas. Em Curitiba, a previsão era de que a máxima cairia de 26 para 20 a 21 graus, e a mínima, de 15 para 11 graus. Na região Norte, a mínima, que estava entre 19 e 20 graus, deveria chegar a 13 graus.
A falsa impressão de que o inverno ainda não chegou, de acordo com o metereologista Cezar Gonçalves Duquia, do Simepar, acontece porque a memória da população costuma registrar apenas a última estação como referência. O ano de 2000 foi atípico, de muito frio, diz. Pegando-se as temperaturas mínimas como referência, em julho de 2000 Curitiba chegou a 2,5 graus negativos, contra 3,4 graus este ano. Em Londrina, a mínima ficou em 1,2 negativo no ano passado, contra 5,4 este ano.
O que vem ocorrendo no inverno deste ano, segundo o metereologista, é que as massas de ar frio estão entrando pela região sul, atingindo Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e estão se desviando em direção ao Oceano Atlântico e não para o continente.
Com isso, as ondas de frio têm passado rapidamente pelo Estado. A massa de ar frio encontra um bloqueio, porque o continente está quente e seco e é desviada em direção ao Litoral, explica o meteorologista. Uma consequência desta situação é a falta de chuvas na região Centro-Oeste do País.


