A Associação dos Produtores de Orgânicos do Paraná (Aopa) reduziu a dependência de fornecimento de produtos orgânicos aos supermercados. Até o ano passado, antes da geada, a entidade tinha um faturamento de aproximadamente R$ 90 mil por mês, sendo que 80% a 85% da receita era oriunda das vendas para as grandes redes de supermercados. Atualmente, o faturamento mensal é de aproximadamente R$ 30 mil e apenas 50% desse total são oriundos das vendas em supermercados.
A queda na receita da Aopa foi provocada pela geada que reduziu a oferta de produtos, seguida de uma crise financeira. Segundo Rosa, a associação perdeu muitos produtores e atualmente está se reequilibrando novamente.
Para conseguir a estabilidade, a associação está direcionando metade das vendas para o pequeno comércio varejista e para a loja própria. Com isso, a associação reduz custos com a necessidade de embalar os produtos e todos os custos decorrentes dessa operação como a própria embalagem, mão-de-obra, e custos fixos como água, luz e telefone.
A Aopa está constatando que essa redução de custos está fazendo a diferença no saneamento financeiro da entidade. Por isso, está concentrando o esforço de venda no pequeno varejo para quebrar a dependência das grandes redes. Atualmente está fornecendo produtos orgânicos diretamente para seis quitandas, sendo três delas empreendimentos recém-inaugurados. ‘‘Esse nicho de mercado está em ascensão e pretendemos ocupá-lo’’, disse Rosa.
Com a redução de custos da embalagem, Rosa disse que as quitandas têm condições de vender mais barato e esse é um fator que pode elevar as vendas dos produtos orgânicos, acredita. Segundo ele, os supermercados trabalham com margens muito altas na comercialização de orgânicos, enquanto as quitandas trabalham com margens que variam de 20% a 30%.
Já a Associação de Produtores de Orgânicos de Colombo (Apac) é mais dependente das grandes redes de supermercados. Quase 90% da produção é direcionada aos supermercados.
A associação entrega cerca de 50 mil embalagens de produtos orgânicos por mês para mais de 30 lojas de supermercados espalhadas na cidade, o que dá uma média de 2 mil embalagens por dia, contabilizou o presidente da Apac, Cesar Augusto Lovato.
Segundo Lovato, a Apac tem dificuldades em vender para o pequeno varejo como as quitandas e pequenos supermercados localizados nos bairros mais afastados. ‘‘Isso porque a classe média baixa ainda não valoriza o produto orgânico, do produto convencional’’, destacou.
Lovato diz que os produtos orgânicos são mais caros em supermercados porque os custos são maiores. Só o custo da embalagem e do selo de garantia representa um acréscimo de 100% no custo do produto. ‘‘Já nas quitandas os mesmos produtos podem ser vendidos 50% mais baratos’’. (V.C.)

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