Quando se fala em velhice, a imagem de um indivíduo doente e debilitado é a primeira que vem à mente de muitas pessoas. Com o avanço da medicina e aumento da expectativa de vida, porém, a promoção da saúde é uma das áreas que trouxe melhores resultados a esta população que só aumenta. Tanto é que a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) trabalha com ações voltadas ao envelhecimento bem-sucedido. Segundo Salo Buksman, diretor da entidade, esta fase pode ser alcançada com êxito seguindo três aspectos: estilo de vida, prevenção secundária e tratamento.
''A prevenção se baseia, sobretudo, num estilo de vida saudável. Ou seja, medidas como a prática de exercícios físicos regulares, dieta equilibrada, quantidade de sono adequada, tempo de lazer e hábitos de não fumar ou ingerir bebida alcoólica em excesso'', pontua. Já a prevenção secundária das doenças, segundo ele, se baseia no controle de problemas como diabetes e hipertensão, vacinação, combate à obesidade. ''O último passo, por sua vez, é o tratamento das doenças estabelecidas, com medicamentos que compensam as consequências das patologias.''
Estas medidas, para o diretor, são as comprovadas cientificamente e que trazem benefícios à qualidade de vida da população idosa. Ao contrário da medicina antienvelhecimento, que faz questão de ressaltar que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e ''tampouco existem artigos conclusivos e com credibilidade sobre o assunto''. No último congresso de Geriatria e Gerontologia realizado no Rio de Janeiro, em maio deste ano, a sociedade deu início ao debate. No mês passado, inclusive, o CFM condenou publicamente algumas práticas e já cassou e puniu registros profissionais de quem pratica a técnica.
Buksman é taxativo ao dizer que tudo não passa de uma ''venda de ilusão do rejuvenescimento - diferente da medicina estética'', já que não existe técnica capaz de combater ou reverter a idade porque o envelhecimento é um processo inexorável. ''A utilização indiscriminada de hormônios, polivitamínicos e afins podem, inclusive, trazer prejuízos. As polivitaminas são inócuas, mas em megadoses podem causar intoxicação. Os aminoácidos têm custo elevado. Mas os hormônios são os mais graves, pois podem induzir o crescimento de tumores adormecidos e doenças como o diabetes, por exemplo'', resume o diretor, ressaltando que pode haver recomendação legítima do uso das substâncias para outras situações. (M.T.)

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