Fica difícil afirmar que a velocidade maior pode provocar mais ou menos acidentes. Mas, garante o engenheiro Rasca Rodrigues, do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), quando os acidentes acontecerem, o impacto com certeza será bem maior. Trata-se de matemática, disse Rasca.
Uma composição que se envolve em um acidente a 40 km/hora pode apenas descarrilar, sem causar maiores danos. Porém, se essa mesma composição descarrila a 50 km/hora, os vagões vão arrastar por um trecho maior, podendo capotar e até explodir. A gravidade do acidente vai depender sempre do terreno onde houve o descarrilamento. ‘‘Eles (ALL) estão trabalhando na faixa de risco’’, avalia Rasca.
O aumento da velocidade pode comprometer a composição se houver necessidade de uma parada mais brusca. Nesses casos, a eficiência dos freios seria menor, dificultando o trabalho de frenagem.
Com a velocidade maior, o estrago físico, financeiro e ao meio ambiente também deve aumentar. A preocupação maior é com o transporte de cargas poluentes e explosivas, que oferecem um risco iminente ao meio ambiente e à população. Segundo Rasca, ‘‘a solução da ALL evidencia a falta de uma política de investimentos em equipamentos. A velocidade poderia ser mantida se a empresa aumentasse o número de trens e locomotivas’’.
Rasca disse que a meta da ALL é aumentar em 20% a produtividade, de forma que a empresa se enquadre as padõres internacionais. Depois disso, acredita Rasca, a companhia deve ser vendida. A ALL, no entanto, nega que esteja preparando a empresa para possível comercialização.(G.F.)

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