Veículos de 'primeira' e rodoviárias de 'segunda'
Thadeu Castello Branco e Silva, da Rodopar, concorda que as empresas de transporte rodoviário de passageiros têm dificuldades para inovar procedimentos. Mas ele argumenta que esses obstáculos são criados pelo poder público.
''Por exemplo, agora as empresas estão colocando totens (de auto-atendimento) nos terminais rodoviários. Mas não é possível inovar quando os terminais estão abaixo da crítica. Os ônibus são de primeiro mundo, mas os locais onde as empresas trabalham não têm estrutura para receber novas ideias'', critica.
Além dos terminais rodoviários em situação precária, Silva cita outras dificuldades dos empresários do setor: estradas com péssima estrutura; o crescimento do transporte clandestino; e o caos do trânsito urbano, que também interfere.
''Para citar um exemplo: quem vem do interior do Paraná para Curitiba, quando chega a Campo Largo (Região Metropolitana), demora para chegar à rodoferroviária, um trajeto relativamente curto, mais ou menos uma hora, em razão do congestionamento'', explica.
Silva também critica o que chama de ''falta de isonomia'' na disputa ônibus x avião: há quase 10 anos, tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação de inconstitucionalidade ajuizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que questiona a incidência de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o transporte rodoviário intermunicipal e interestadual de passageiros. ''O transporte rodoviário paga ICMS, o aeroviário, não'', afirma o diretor-superintendente da Rodopar.
Em 2001, o STF declarou inconstitucional a incidência de ICMS sobre a prestação de serviços de transporte aéreo intermunicipal, interestadual e internacional de passageiros e internacional de cargas. (F.G.)





