Variações de cimento sobre a grama
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 1997
Iara Lessa Londrina 
Esqueça os tradicionais e não tão engraçadinhos anões de jardim e as garças brancas com bicos gigantescos curvadas sobre um pequeno lago de pedras, considerados por dez entre dez decoradores como um dos mais graves crimes contra a estética do jardim que se pode cometer, e conheça outras opções para embelezar seu jardim.
Para os irmãos Antônio Eugênio e Luiz Carlos Brassal, proprietários da fábrica Pietá - Arte em Cimento, em Londrina, as alternativas são muitas. Estátuas, vasos, colunas, imagens sacras e fontes maravilhosas podem embelezar e dar um tchan a mais às suas folhagens e florezinhas.
A maioria das peças utilizadas em jardins é mesmo feita em cimento. Segundo Antônio, é o material ideal devido a sua durabilidade e resistência ao tempo. Peças em cimento chegam a durar 300 anos, às vezes até mais. Por isso a dica é escolher bem o tipo de enfeite já que vai durar gerações e gerações, ensina.
As peças - sejam vasos, estátuas, colunas ou fontes - em geral são apresentadas em dois tipos de acabamento, liso ou poroso. Essa porosidade é conseguida através de um material chamado granilha, que confere à peça um aspecto poroso, rústico, bastante diferenciado. Muitas pessoas preferem o acabamento em granilha para um aspecto não tão liso, não tão novo. Fica parecendo uma peça mais antiga, que já sofreu um pouco a ação do tempo, revela.
Ainda quanto ao acabamento, essas peças podem receber uma camada de pátina, que, segundo revela Luiz Carlos, é a preferência dos clientes. Cerca de 90% das peças são patinadas. Essa tendência vem crescendo consideralvelmente nos últimos cinco anos. Elas ficam mais bonitas, diferentes do cimento cru.
Medindo entre 40 centímetros e dois metros, as peças chegam a pesar até 300 quilos. A fábrica, que mantém um catálogo com mais de 600 itens, também recebe encomendas especiais. Dá para fazer qualquer coisa em gesso (principalmente para jardins de inverno) ou cimento. Basta fazer a modelagem das peças, conta Luiz Carlos, responsável pela produção da indústria, que mantém mais de 20 funcionários trabalhando nos processo de fabricação.
Entre os detaques de maior saída ainda estão os anjinhos barrocos. Embora utilizados à exaustão por bastante tempo, misteriosamente esses anjos ainda ocupam lugar de destaque no imaginário das pessoas. Imagens sacras também agradam as pessoas. Muita gente costuma fazer uma espécie de santuário pequenos no jardim, uma coisa bem intimista, diz Luiz Carlos.
Outras peças que se destacam são as fontes e chafarizes. Utilizando um engenhoso recurso, essas fontes funcionam com muito pouca água, já que ela é bombeada através de uma maquinhinha que fica escondida atrás da peça. As fontes de parede funcionam com apenas um litro de água. já as fontes maiores, instaladas no chão, exigem um espaço maior para que a água caia sobre um lago, mas utiliza o mesmo sistema e também pouca água.
Quanto ao espaço, os irmãos Brassal garantem que, seja um jardim grande ou um pequeno, o ideal não é enchê-lo de peças e sim apostar na parcimônia. Pode-se fazer um jardim com um estátua em um pequeno pedaço de dois por dois, às vezes até menor. O mais difícil são os espaços maiores. O que deve-se evitar é distribuir peças e peças por todo o jardim. Fica cafona, sentenciam.


