Varejistas estão desorientados
Após as repercussões negativas do fim dos incentivos fiscais entre os agropecuaristas, os frigoríficos e os produtores de suínos e de aves, que reclamam que perderão competitividade no mercado interno, é a vez dos pequenos e médios varejistas constatarem que o aumento da alíquota do ICMS pode causar problemas já a curto prazo.
Nós estamos desorientados, ninguém consegue nos explicar o que está realmente acontecendo, reclama Luiz Cláudio Depieri Vicente, 37 anos (20 deles no ramo), proprietário do Santo Ângela, um supermercado de tamanho médio no Jardim Ana Rosa, bairro de Cambé limítrofe ao município de Londrina.
A reportagem percorreu vários supermercados em bairros dos dois municípios. A maioria dos entrevistados, gerentes ou proprietários de estabelecimentos pequenos ou médios, não quiseram ter seus nomes publicados, mas todos concordam com Vicente e reconhecem que ainda não sabem o que significa o aumento de até 10 pontos percentuais no tributo.
Alguns deles chegaram a insinuar que poderiam ter que sonegar para manter os clientes, considerado altamente competitivo por eles. Outros disseram que alguns fornecedores poderiam estar especulando a partir da notícia do aumento dos impostos.
Com um grande estoque, ainda não tive idéia do impacto da nova tabela de recolhimento sobre os preços. Mas, se o fornecedor me vender mais caro, não terei alternativa e subirei os preços, analisa Sérgio Goulart, proprietário do Supermercado Goulart, no Jardim dos Estados, na zona norte de Londrina.
Goulart está negociando com fornecedores de açúcar cristal, que cobravam entre R$ 16,00 e R$ 17,00 o fardo de 50 quilos, e agora estão pedindo até R$ 19,00 pelo mesmo produto. Outro item que preocupa o supermercadista é a carne bovina, cuja rotatividade de venda é bem maior.Tudo indica que os preços vão subir logo, acredita.
Outro dilema que vivem os empresários do setor é o quanto cobrar pelos produtos estocados. A desinformação sobre isto não recebemos comunicado oficial de ninguém se comprarmos recolhendo 7% de ICMS, por exemplo, terei que arcar com o prejuízo se estou vendendo com o mesmo preço e o governo recolhendo 17%, explica Vicente, lembrando que muitos colegas estão com o mesmo problema de planejamento.
Vicente lembra que graças a costumeira oscilação nos preços de produtos agrícolas baixa de preço na safra (caso do óleo de soja e do açúcar) e alta na entressafra o consumidor pode nem mesmo perceber que está pagando mais caro pelo produto.
Mas, as incertezas e a possibilidade de prejuízo generalizado estão forçando a manutenção de preços que deveriam estar caindo. No Supermercado Santa Mônica, por exemplo, o pacote de cinco quilos de açúcar custa R$ 3,00. Antes da notícia do aumento do ICMS, o estabelecimento planejava praticar o preço de R$ 2,30, considerado agora um valor impraticável. (L.F.M.)





