O valor bruto da produção agrícola em Ponta Grossa, considerando somente as duas principais culturas, o milho e a soja, deve apresentar uma queda de aproximadamente 10% nessa safra, se comparado a anterior. A área destinada ao milho aumentou. Passou de 18 mil hectares para 21 mil hectares. A produtividade também teve uma melhora. Este ano os produtores vão colher em média seis toneladas por hectare, contra 5,8 registrado no ano passado.
Na soja o quadro não se alterou do ano passado para cá. Houve uma pequena redução de área, de 41 mil para 40 mil hectares, mas a produtividade deve crescer de 2,9 toneladas para três toneladas por hectare, mantendo os mesmos níveis de produção.
O problema é que tanto o preço do milho quanto o da soja estão baixos. E as 21 mil toneladas a mais que o município deve colher de milho não vão compensar a redução do preço. No ano passado, as duas culturas foram responsáveis pela geração de uma renda bruta de R$ 58 milhões. Este ano, a produção deve render pouco mais de R$ 52,5 milhões.
Apesar do produtor ganhar menos esse ano, não parece que seus gastos estejam sendo reduzidos na mesma proporção. A queda de 10% no valor bruto da produção está passando longe de outros setores da economia, que se aquecem com a agricultura no município.
É o caso do comércio de caminhões e peças automotivas. O supervisor-administrativo de uma das maiores empresas do ramo na cidade, Júlio Cunha, conta que a agricultura é responsável por um incremento de 35% a 40% no movimento da loja nesse período do ano. No mês passado, a empresa vendeu 14 caminhões novos e 11 usados. ‘‘É uma média boa’’, considera.
O sócio-proprietário de uma empresa de máquinas agrícolas, Eugênio Ienk Ferreira, confirma os índices. ‘‘Nos meses de março e abril nosso faturamento aumenta 40%’’, conta. Segundo ele, a queda de preços não está desanimando o produtor. ‘‘Só o fato de ter uma boa produtividade já anima quem produz’’, considera Ferreira, que também é produtor.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, Douglas Taques Fanchin, também produtor rural, o impacto da safra na economia poderia ser maior se os preços estivessem normais. ‘‘No ano passado conseguimos até R$ 13,5 pela saca de milho. Hoje estamos recebendo R$ 8,00’’, reclama.

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