A população de Altamira do Paraná (131 Km ao sul de Campo Mourão) está revoltada com a morte de Maria Valdirene Correia, 24 anos, ocorrida na última segunda-feira. Ela morreu no Hospital Municipal São Luiz depois de ficar por mais de 24 horas esperando para ter seu filho, que também morreu. A polícia de Campina da Lagoa, município vizinho, abriu inquérito para investigar as causas da morte.
De acordo com o depoimento de Joana Correia, 29 anos, irmã de Valdirene, ela foi internada no hospital às 5h30 do domingo. Enfermeiras teriam dito que tudo estava dentro do normal e que a criança nasceria até às 13 horas daquele dia. ‘‘Minhã irmã já chegou em trabalho de parto. Mesmo assim, preferiram deixá-la em um quarto esperando a chegada do médico’’, afirma Joana.
Segundo a irmã, o médico Hélio Magno Martins Leal, diretor do hospital, consultou Valdirene e decidiu que não estava no momento de realizar o parto normal. Ela acrescenta que sua irmã gritava e implorava para que fosse feita cesariana, pois não suportava mais a dor. ‘‘Mas ele (o médico) foi atender outra pessoa e deixou ela (a irmã) sozinha’’.
Algumas pessoas que moram ao lado do Hospital Municipal disseram que era possível ouvir os gritos de Valdirene. A mãe, Carmelita Urias Correia, permaneceu durante todo o tempo no hospital aguardando pelo nascimento do neto. ‘‘Durante o parto, que aconteceu na madrugada de segunda-feira, uma enfermeira chamada Sara saiu da sala e nós pedimos explicações sobre como estava minha filha. Ela nos disse que se não ficasse quieta eles deixariam de atendê-la. Um pouco depois minha filha parou de gritar e morreu junto com seu filho’’, afirma.
O cunhado da vítima, Sidnei Serafim da Paixão, 28 anos, ressalta que logo após a morte de Valdirene, o diretor do hospital fugiu da cidade, não tendo voltado até a última sexta-feira. Ele acrescenta que o corpo foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Mourão e só foi liberado depois da intervenção do Ministério Público, que apresentou um documento autorizando a remoção do corpo.
O inquérito policial foi aberto a pedido do Ministério Público, depois que Sidnei procurou a promotora de Campina da Lagoa, Vilma Leiko Kato, para denunciar a morte de sua cunhada. A promotora decidiu que o inquérito seria presidido pelo delegado de Campina, Laércio Cardoso Fahur. Até o momento, o delegado colheu apenas os depoimentos da família, pois está impossibilitado de ir até Altamira do Paraná. ‘‘Nossa única viatura está sem condições de uso. Espero que na próxima semana chegue um novo veículo e eu possa ir até lá ouvir a direção do hospital’’, justifica.
O delegado completa que solicitou ao hospital o prontuário da vítima, para saber detalhes de sua permanência no local, e o laudo pericial realizado no IML para dar continuidade às investigações. O prazo de encerramento do inquérito é de 30 dias, mas poderá ser prorrogado.
O prefeito de Altamira do Paraná, Jaldemo Gomes Duarte (PSDB), disse que não irá se pronunciar enquanto não for concluído o inquérito policial. Ele apenas informou que o médico Hélio Leal trabalha no hospital há seis meses e considera a morte de Maria Valdirene ‘‘uma fatalidade’’.

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