USO EXIGE BOM SENSO
•Como usar
Para o arquiteto londrinense Henrique Brunelli, o tapete, que surgiu funcional, virou hoje acessório de decoração. Embora isto, na opinão dele, não seja errado, o objeto tem que ter uma função prática. ‘‘Dentro da arquitetura de interiores, o tapete surge delimitando espaços ou circulação. Ele está ali para ser usado’’, afirma. Tapete para ser apenas admirado, só se for mesmo uma frágil antiguidade. ‘‘E deve ser, no mínimo, do século passado’’, aconselha.
Brunelli não concorda com a ‘‘moda’’ atual de espalhar tapetinhos por toda a casa. ‘‘Virou uma mania de consumo, tem tapete até para telefone. E isto foge totalmente da concepção. Ele foi criado para ser funcional, para dar aconchego pela própria textura. Aliando a estética, podemos enobrecer um ambiente com o tapete. Mas sempre tendo isto em vista’’, diz garante.
Para ele, três tapetes bons, de tamanhos que vão de médio a grande porte, são suficientes para a maioria das residências: ‘‘um para o estar, um para o jantar e um para a circulação’’. ‘‘Na minha opinião é o que basta. Esta história de substituir o tapete da sala de jantar por duas passadeiras, por exemplo, não combina com minha visão estética. Ou coloque um tapete grande, que comporte inclusive as cadeira empurrada para trás, ou deixe sem nada’’, ensina.
As palavras-chaves, para o arquiteto, são ‘‘uso racional’’. ‘‘Tudo, é claro, vai depender da proposta da decoração. Mas eu nunca vou jogar um tapete persa, por exemplo, sobre um piso trabalhado. Se o piso foi feito com um desenho diferente, com um material nobre como o mármore, por exemplo, por que escondê-lo sob tapetes?’, indaga.
Outro detalhe que, na opinião de Brunelli, as pessoas não devem esquecer é que os móveis - a não ser os de jantar - devem estar sempre rodeando o tapete, nunca ‘‘prendendo’’ o tapete. ‘‘O ideal é que o tapete apareça no todo, com o estar em volta dele’’, afirma.
Para finalizar, Brunelli diz que o tapete não deve ‘‘brigar’’ com a decoração geral do ambiente. ‘‘Se prefere um estofado hiperestampado, procure um tapete mais monocromático, e vice-versa’’, instrui. Mas o arquiteto faz questão de lembrar: todos estes conselhos são baseados em sua visão pessoal. (T.E)

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