Universidades enfrentam crise administrativa
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sábado, 01 de setembro de 2001
Maigue Gueths<BR>De Curitiba 
O secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrhaftig, nega a existência de crises política e financeira nas universidades públicas estaduais. O que está acontecendo, para ele, são ''sérios problemas administrativos'' envolvendo gestores de algumas instituições. Por esse motivo, ele critica a autonomia didática, pedagógica, financeira e administrativa, garantida às universidades pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pela Constituição Federal.
''Cada escola tem seu processo de escolha. Em geral, o mais votado e o referendado pelo governador é uma pessoa que tem liderança na comunidade. Mas uma coisa é você ter liderança na comunidade, outra é estar capacitada para ser gestora de uma instituição'', disse. O ideal, para ele, seria haver um controle maior sobre as instituições.
A legislação prevê a criação de conselhos municipais para acompanhar a gestão das universidades e só com a autorização dos conselhos é que um reitor pode ser afastado de seu cargo. Foi o que ocorreu em Cascavel, onde foi aberto processo administrativo para averiguar a má versação de recursos.
O secretário faz questão de distinguir os casos ocorridos na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, e na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''O caso da Unioeste é má administração'', afirma, lembrando que em 1999 a universidade foi classificada no provão como a oitava melhor instituição do País. ''Em um ano e meio a universidade virou de cabeça para baixo'', queixa-se.
Como prova de má gestão, ele cita a falta de material de custeio, motivo de mobilização dos alunos de Odontologia na última semana. ''A universidade deixou de pagar R$ 600,00 por mês para comprar este material. Em compensação, usando a prerrogativa da autonomia, tinha mais de duas dezenas de celulares no gabinete da reitoria, dezenas de cargos comissionados''.
Já na UEL, para ele, as 16 irregularidades que estão sendo apuradas referem-se a compras superfaturadas e não são reflexos do desempenho do gestor da instituição. ''A UEL está entre as melhores universidades do País, o que prova que há uma boa gerência. O que precisa é o Conselho Administrativo apurar as responsabilidades''.
Como as universidades têm autonomia, a secretaria não sabe precisar a arrecadação e gastos em cada uma das cinco universidades e onze faculdades estaduais. O governo estadual aumentou sua destinação orçamentária no ensino superior de R$ 74 milhões em 1994 para R$ 300 milhões esse ano. A soma da receita das instituições, no entanto, chega a cerca de R$ 440 milhões.
É que cada instituição tem autonomia para engrossar seus recursos seja com vestibular, convênios junto a órgãos públicos ou privados, cobrança de serviços nos hospitais universitários, entre outros. Universidades mais antigas, como a UEL e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), têm mais facilidade de levantar recursos e de se autogerenciar. A Unioeste, por sua vez, deve aumentar sua receita, em breve, em mais R$ 30 milhões com a abertura de seu hospital regional.
''Nosso Estado e a comunidade têm feito grande esforço para manter estas universidades. Tanto que temos a melhor relação privado x público do País'', diz Wahrhaftig. Hoje, 46% dos alunos em curso superior no Paraná estudam no sistema público estadual e federal. Em São Paulo, esta relação é de 13% na rede pública e 87% na privada. Outra preocupação, segundo ele, é a qualificação dos professores. Em 1995, só 470 dos 5 mil professores tinham doutorado. ''Hoje este número chega a 1,1 mil, sendo que mais 700 estão em doutoramento''.


