As orquídeas também estão garantidas no futuro com o trabalho de criopreservação empreendido por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No processo, explica o professor-doutor e especialista em genética do Departamento de Agronomia da UEL, Ricardo Tadeu Farias, os ápices (brotos) das orquídeas são mantidos em nitrogênio líquido, dentro de câmaras frias a uma temperatura de 190 graus negativos. Somente de um gênero de orquídea os pesquisadores já coletaram mais de 40 espécies.
Segundo Farias, o objetivo do banco de germoplasma é preservar plantas com potenciais econômicos e medicinais para o futuro. O gênero da planta é conservado da forma como hoje é encontrado, proporcionando aos geneticistas o cruzamento com outros gêneros. ‘‘São infinitas as possibilidades de variação genética’’, afirma o professor. Cada grupo de pesquisadores de centros específicos guarda bancos de germoplasma de plantas como trigo, café, carnívoras, entre outros. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), diz Farias, tem o Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen), onde existe um banco de germoplasma.
Na opinião de Farias, o tipo de conservação dos brotos utilizado pelos cientistas, que se valem da energia elétrica para gerar as temperaturas baixas, não preocupa. ‘‘Se faltar energia tem geradores’’, informa. O professor não sabe se o método usado por Noêmia Leles de Freitas pode garantir a germinação das sementes. ‘‘Não conheço a forma de acondicionamento que ela usa.’’
A iniciativa de Noêmia, para o geneticista, é válida do ponto de vista didático e até religioso da questão. ‘‘Guardar amostras de espécies de sementes remete à idéia da Arca de Noé, que preservou um casal de cada animal’’, lembra Farias. Ainda assim, segundo ele, Noêmia nunca vai conseguir reunir todas as espécies que existem no País. ‘‘São milhões de gêneros.’’ Alguns vegetais raramente produzem sementes, como é o caso da banana e dos tubérculos (batata e mandioca, por exemplo). (M.B.)

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