Seleção de utilitários do Espaço de Cultura Catuaí: xícara de consomê (R$ 27) e pratinho (R$ 14) assinados por Kimi Nii; Prato (R$ 180) assinado por Megumi Yuasa; peças variadas assinadas por Andréa Accorsi, de R$ 8 a R$ 18; vaso em Raku (R$ 97), castiçal (R$ 19) e fruteira (R$ 160) de Maria Scherlowski; aparelho de chá com bolo (R$ 75) de Ana Paula BuenoUma das mais novas tendências na decoração é a utilização, no cotidiano, de peças artísticas. A arte utilitária - aqueles objetos trabalhados como obras de arte, mas que podem fazer parte do dia-a-dia - está crescendo mercadologicamente. A cada dia mais pessoas procuram ateliês de artistas plásticos ou lojas especializadas, em busca de objetos que tornem a casa mais rica estética e culturalmente. São peças assinadas que, além de tudo, trazem um caráter de exclusividade.
O Espaço de Cultura Catuaí é um dos locais, em Londrina, que comercializa este tipo de arte. E para a relações públicas do Espaço, Nina Bertin, a procura por peças assim está aumentando, principalmente entre o público mais jovem e pessoas com um bom nível cultural. ‘‘Parece que está acabando aquele distanciamento com a arte. As pessoas não querem apenas a beleza das peças como enfeite. Elas querem a arte na sua vida, fazendo parte da sua realidade’’, afirma.
Para Nina, porém, o nível cultural é o fator determinante quando alguém escolhe uma peça artística. ‘‘Aqui, no Espaço, onde o fluxo de pessoas engloba todas as classes sociais, acontece muito da pessoa ver um pratinho de cerâmica rústica, e não entender porque têm o mesmo preço de um jogo de jantar industrializado’’, conta. Segundo ela, a perplexidade diminui na mesma proporção que aumenta o nível de informação do público. ‘‘Quem tem uma bagagem cultural sabe reconhecer o valor do fazer artístico ’’, afirma.
Para a artista plástica Suzi Parisotto, que há seis anos trabalha com porcelana e cerâmica, a arte utilitária é uma forma de arte acessível para a maioria das pessoas. ‘‘Ela oferece escolha: usa e/ou decora’’, explica. E, segundo ela, é indicada para quem busca originalidade. ‘‘A arte utilitária é para quem procura a diferença, quem não aceita as coisas muito estabelecidas. São peças exclusivas, únicas. Mesmo em um jogo de jantar um prato nunca fica igual ao outro’’, diz.
Para Carlos Vinícius Sato, artista plástico e designer, a obra de arte tem que ser versátil, fazendo parte do dia-a-dia. ‘‘Não vejo as coisas como se pudesse fazer uma separação entre objeto artístico ou decorativo. Eu acho que a arte pode ser utilitária. Uma escultura pode ser uma luminária, assim como uma cadeira pode ser trabalhada como uma escultura. São os artistas plásticos que estão impulsinando a área de design de móveis’’, afirma. Segundo Sato, a união da arte com o ‘‘útil’’ é uma tendência mundial.
Já para a artista plástica Leniza Pereira, a arte tinha que fazer parte 24 horas no dia das pessoas. ‘‘Esta é uma tendência que tem muito para crescer. Na linha de porcelana, por exemplo, as próprias fábricas estão investindo em design artístico, com referências a grandes mestres’’, afirma. A arte utilitária, para ela, porém, pode ser dividida em duas partes: a soft, uma linha mais voltada para o uso doméstico; e a pesquisa, um trabalho bastante elaborado, onde um prato serve como a própria tela. Este seria mais para ser exposto que utilizado. ‘‘Pessoalmente, eu faço esta distinção em meu trabalho. Mas é uma visão minha. Nada impede que a pessoa que compre um prato do Megumi (Megumi Yuasa, grande ceramista brasileiro) e utilize como prato mesmo. Aí, é de cada um’’, afirma.
Onde encontrar:
•Espaço de Cultura Catuaí - Catuaí Shopping Center, fone (043) 330-3090, Londrina.
•Ateliê Suzi Parisotto - Rua Castro, 21, fone (043) 348-5084, Londrina.
•Ateliê Carlos Vinícius Sato - Av. JK, 771, fone (043) 322-0108, Londrina.
•Ateliê Leniza Pereira - Rua Souza Naves, 1.833, fone (043) 330-3041, Londrina.

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