Há 69 anos, um professor de ginásio de uma escola da cidade mineira de Boa Esperança emprestou um livro de genética a um garoto de 14 anos. Mal sabia ele que, com aquele gesto, estava produzindo uma mudança extraordinária, não apenas na vida do menino, mas também na história das pesquisas genéticas no Brasil.
O mineirinho era ninguém menos do que o professor Newton Freire Maia, um apaixonado pela genética, reconhecido em todo Brasil –e mesmo no exterior– por seus mais de 50 anos dedicados à pesquisa. Entre 500 trabalhos científicos publicados e 18 livros, dois dos quais nos Estados Unidos, destacam-se seus estudos das doenças causadas por displasias ectodérmicas, uma doença rara, que ataca diversas partes do corpo.
Há 50 anos, Freire Maia chegou a Curitiba com a incumbência de fundar o Laboratório de Genética da Universidade Federal do Paraná. A partir daí, sua história confunde-se com o desenvolvimento do atual Departamento de Genética da UFPR. Com 82 anos de idade, apaixonado por música erdudita e jazz, até hoje o doutro Newton, como é chamado por todos, comparece diariamente ao setor. Não leciona mais, mas continua atuando como co-orientador para alguns trabalhos de mestrado e doutorado e continua ligado à genética principalmente através de seus artigos, escritos para jornais.

mockup