A mais famosa rua de comércio popular de Londrina expõe uma parte da história da cidade guardada na arquitetura dos edifícios, na fachada das lojas, na tradição gastronômica e nos monumentos históricos ao longo do percurso. Passear pela rua Sergipe pode trazer surpresas maiores que as ofertas tentadoras das diversas lojas ou a pausa para a famosa dobradinha ''vitamina e pastel'' tão familiar aos londrinenses.
Com o objetivo de chamar a atenção para a história escondida atrás do movimento comercial da via, os pesquisadores Elisa Roberta Zanon, Patrícia Martins Castelo Branco e Vanda de Moraes, sob coordenação de Leandro Henrique Magalhães, elaboraram um roteiro histórico para passear pela rua. O folder traz dicas de 14 pontos a serem observados pelo ''turista'' entre as avenidas Higienópolis e Leste-Oeste. A realização é do Instituto de Desenvolvimento Social, Pesquisa e Ensino (Indespe).
É entre a Sergipe e a Benjamin Constant, por exemplo, que localiza-se a ''quadra 1'' do município, mapeada em 1932. Reflexos da imigração japonesa se fazem presentes em algumas casas comerciais e nos nomes dos edifícios que evidenciam a influência nipônica, como Tanaka, Ohara, Nakano e Tókio. Este último, construído nos anos 1950, foi um dos primeiros arranha-céus de Londrina.
''Os primeiros proprietários de parte dos lotes eram japoneses'', explica Elisa Zanon, que destaca também a presença de dois monumentos históricos: o Museu de Arte, onde funcionava a antiga rodoviária projetada por Vilanova Artigas, e o Cadeião.
As pesquisas para o roteiro foram aprofundadas e transformadas no livro Rua Sergipe - Patrimônio Cultural Londrinense, organizado por Magalhães. Em um dos capítulos da publicação, Elisa aborda o patrimônio histórico contido na arquitetura da via, que ainda guarda fachadas com referências ao movimento art déco das décadas de 1940 e 1950.t
''O fachadismo repleto de molduras, frisos, arte decorativa geometrizada, esquinas arredondadas e os prédios com até três pavimentos de uso misto, onde as famílias mantinham um estabelecimento comercial na frente e residiam nos andares de cima ou nos fundos, são característicos desta época'', relata. A madeira, tão disponível na região, imprime particularidades norte-paranaenses à arquitetura.
A adoção do estilo art déco, segundo Elisa, não foi um movimento consciente e consolidado, até porque se mistura com o modernismo posterior. ''Na verdade, a referência veio de grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo'', comenta. Isso não tira a importância histórica dos prédios que, se não forem protegidos, podem perder todas as características originais para novas construções, como já ocorreu em diversos imóveis. ''A Lei do Patrimônio precisa ser posta em prática para regular as reformas'', defende a arquiteta. (Carolina Avansini /Reportagem Local)

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