Uma ponte entre o Brasil e o Japão
Aos 86 anos, Tsuruo Tanno ainda tem saúde e lucidez para ver nascer um tataraneto (que ainda não está nos planos dos bisnetos). Falante - se o interlocutor for fluente na língua japonesa -, o agricultor aposentado pode contar com orgulho que é um dos responsáveis por algumas das tradições nipônicas estarem tão presentes no Brasil hoje. O Tanabata Matsuri - festival das estrelas - é uma delas.
Nascido em Miyagui-ken, onde surgiu a lenda do Tanabata no Japão, Tanno-san até recebeu um certificado de agradecimento da província natal que reconheceu seu trabalho de divulgação. Antes de iniciar o Tanabata em Assaí, também assessorou os primeiros festivais de São Paulo, que acontecem no bairro da Liberdade. Hoje ele diz que não tem mais condições de coordenar o festival, mas fica contente e satisfeito porque alguém continua o seu trabalho.
No Brasil desde 1933, Tanno-san voltou seis vezes para o Japão. Além de rever a terra natal, ele também se preocupava em aprender mais para transmitir no Brasil. Foi assim com o gateball (jogo onde a bola passa sob pequenos arcos) e também com a acupuntura.
Sua preocupação em fazer a ponte entre o Brasil e o Japão sempre foi reconhecida. Tanto é que em 1997, quando o casal imperial japonês esteve em Curitiba, ele foi o responsável pelos enfeites do Tanabata. ''Eu sempre me coloquei à disposição para ajudar a difundir a cultura japonesa'', explica Tanno-san acha difícil transmitir para os netos e bisnetos as tradições. ''Mas nós sempre conversamos muito quando eles vêm me visitar'', afirma. (K.M.)





