Uma história vitoriosa
Quem vê Ana Vitória, 7 anos, brincando na terra, desenhando pelas paredes da casa e cuidando das galinhas no quintal não imagina que a menina, nascida após 26 semanas de gestação, chegou a pesar 570 gramas depois do nascimento. A mãe, a manicure Raquel Silva Cruz, 42, se apegou à fé para manter viva a filha que veio tardiamente, quando já tinha perdido o primeiro bebê e completava 35 anos.
Tive dificuldade para engravidar, conta Raquel, cujo parto aconteceu depois de vários dias com dor e dificuldade para receber atendimento. Entrei em trabalho de parto no posto de saúde. Fechei as pernas e comecei a chorar, pedindo para salvarem minha filha.
Encaminhada ao HU de Londrina, ela gerou Ana Vitória por parto normal, mas, como as outras mães de prematuros, sequer pegou a filha nos braços antes da garotinha ser internada na UTI neonatal da instituição. Fiquei assustada porque ela nasceu roxa, quase sem vida. Foi difícil, porque eu idealizava um bebê forte, grande, como todos os bebês da minha família, recorda.
Vitoriosa - como lembra o nome que recebeu -, a garota teve 13 doenças, passou dois meses no respirador e outros dois meses ganhando peso na UTI. Em muitos momentos, não sentia que minha filha tinha chances, mas não perdi a esperança. Gosto de mexer com a terra e muitas vezes consigo ressuscitar plantinhas quase mortas, comparou.
Com a filha em casa, ela conta que teve de seguir muitas regras, tratamentos e recomendações dos médicos. O esforço valeu a pena, visto que Vitória tem desenvolvimento normal, sem sequelas do tempo em que ficou na incubadora do HU. As piores lembranças, segundo a mãe, são dos olhares de piedade das pessoas que não acreditavam na recuperação da menina. Nunca achei que ela fosse coitadinha, sempre acreditei que ela tinha força para sobreviver.
A rotina de Raquel, que antes da maternidade era triste e vazia, agora é alegre e cheia de vida.Mesmo com toda a luta, Vitória é uma benção. Ela é o amor da minha vida. (C.A.)





