Uma experiência que nunca se esquece
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sábado, 03 de agosto de 2013
Olga Leiria<br> Reportagem Local 
Terminal Rodoviário de Londrina, plataforma 29, dia 23 de julho, sete da noite. Muitos jovens de coração e espírito - e alguns poucos de idade partem rumo à Aparecida, São Paulo. A missão é nobre: assistir à missa da Jornada Mundial da Juventude, celebrada pelo Papa Francisco. Assim como a repórter, a maioria veria de perto, pela primeira vez, um representante máximo da Igreja Católica.
Foram mais de dez horas de ônibus na noite mais fria dos últimos dez anos. Muitos carregavam cobertores coloridos no braços ou em sacolas. Abraços e beijos para os que embarcavam e acenos para os que ficavam.
No painel do ônibus, a imagem de Nossa Senhora Aparecida saudava a todos que entravam. A cada olhar, as pessoas se apresentavam e já iam trocando histórias. Antes da partida, uma benção do frei que acompanhava a viagem. Durante o caminho, a reza de um terço. Apesar de estarem ali para participar da missa, cada um, em seu íntimo, carregava um pedido particular. Sonhos, agradecimentos, curas... Assim, cada romeiro seguia sua viagem.
Após duas horas e meia, o motorista para o ônibus porque uma peça tinha se quebrado. Apesar da notícia e do frio intenso, ninguém reclama ou pede para retornar. Solução: um novo carro estaria vindo para nos resgatar. Foram três horas de conversas, histórias, risadas e troca de lanches - bolachas, roscas e patéis eram divididos. Os jovens de coração faziam até mesmo os mais quietos rirem e, como em todo o lugar, o pessoal do fundão animava o grupo.
Na chegada ao destino, às nove da manhã, o céu cinza claro e com chuviscos já mostrava o que os romeiros enfrentariam. Ao entrar no Santuário de Aparecida muitos vendedores ambulantes vinham ao nosso encontro - o principal produto vendido eram capas de chuva que variavam de R$ 5 a R$ 10. Não tínhamos saída, a compra era certa.
A garoa parou, mas o vento frio não perdoava. A cada helicóptero que sobrevoava a basílica de Aparecida, todos gritavam. O Papa chegou alguns minutos antes do horário previsto e, com a presença do pontífice, a chuva despencou.
Ao olhar todas aquelas pessoas, vindas de vários cantos do País, era possível sentir que uma alegria pairava no ar, uma energia indescritível. Todos sorriam sem parar, demonstrando grande satisfação por estarem ali. Era como se o Papa Francisco fosse alguém que todos já conhecessem.
Muitos acenavam com lenços ou bandeirolas - alguns mais ousados pulavam e gritavam por Francisco. Ninguém se importava com a chuva e o frio.
Naquele momento todos eram iguais - pessoas com tênis de marca ou com chinelos de dedo. Chegada a hora da missa, um colorido de sombrinhas e guarda-chuvas se formava do lado de fora. Os gritos de alegria davam lugar ao silêncio da oração.
Ao terminar a missa, o Papa Francisco saiu na tribuna da Basílica, sorriu, acenou e brincou com os fiéis mostrando a chuva. Para quem estava lá, a impressão que fica é que realmente o pontífice consegue fazer com que todos se sintam seus conhecidos.
Ao retornarmos para Londrina, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi sorteada entre os peregrinos da excursão. Foram mais 15 horas de viagem, mas com a certeza que a experiência vivenciada em Aparecida ficará para sempre.


