Alguns rochedos, que juntos são menores que um campo de futebol, distantes mais de mil quilômetros do continente, sujeitos a terremotos e banhados por mar revolto. Sem sombras naturais e muito menos fontes de água doce. Nas diminutas partes emersas, uma rara e rasteira vegetação, caranguejos e pássaros. Nos mares que os cercam, um refugio natural de tubarões. A combinação hostil deu ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo o título de lugar mais inóspito do Brasil.
Para chegar ao local, a reportagem da FOLHA navegou mais de 2.400 quilômetros, durante 14 dias, a bordo de um navio da Marinha. Pela primeira vez um veículo de comunicação paranaense aportou nessas terras isoladas para mostrar suas curiosidades e importância para a ciência, a economia e a soberania nacional.
O conjunto de ilhas localizadas no Atlântico Norte, quase na metade do caminho entre Brasil e África, é desconhecido pelos brasileiros e ausente de considerável parte dos mapas.
Somadas, as áreas emersas do arquipélago são menores que o Estádio do Café em Londrina. No entanto, a partir desta porção tão irrisória de terra, o Brasil adicionou 450 mil quilômetros quadrados ao seu território, equivalentes ao dobro da soma dos estados do Paraná e do Espírito Santo, ou 6% da área total do País.
A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar, ratificada em dezembro 1988, instituiu o direito dos Estados costeiros de soberania para fins de exploração, conservação e gestão dos recursos naturais presentes em sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE), que representa 200 milhas a partir da costa. Mas, para que o País tivesse direito sobre as ilhas oceânicas, foi necessário que elas se prestassem à habitação humana.
Para cumprir o protocolo, foi inaugurada em 1998, na Ilha Belmonte (a maior do arquipélago), a Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, mantida pela Marinha do Brasil. A expansão territorial no Atlântico Norte foi conquistada em 2004 e reconhecida pelas Nações Unidas (ONU).
Depois de seis anos conseguindo manter o lugar habitado ininterruptamente, em 2004 o Brasil oficializou na ONU o traçado da ZEE em torno de São Pedro e São Paulo. Há uma explicação para tamanho esforço: a aridez da pequena superfície contrasta com a profusão de vida nas profundezas e com a potencial riqueza mineral da montanha submarina colossal que forma o arquipélago.
- O jornalista viajou a convite da Marinha do Brasil

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