Profissionais contrários à utilização de derivados da anfetamina e da sibutramina para perda de peso concordam que a população vive uma epidemia de obesidade e que medidas para conter a evolução deste problema são urgentes. Para estes, porém, a solução está na mudança de estilo de vida. "Além da questão estética, a obesidade é uma dos principais causas de hipertensão. Mas estas drogas não têm evidência de benefícios a longo prazo. Em um primeiro momento o efeito é bom, porém perde-se a longo prazo. Há o efeito bumerangue", afirma o médico Flávio Fuchs, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)e professor da Faculdade de Medicina e do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Segundo o cardiologista, a sibutramina aumenta a pressão arterial e a incidência de complicações cardíacas. Ele defende, inclusive, que o medicamento também fosse proibido pela Anvisa, a exemplo dos anfetamínicos. "Para mim, drogas que podem estar associadas a riscos não devem ser usadas. Esta é minha opinião técnica", enfatiza. Para Fuchs, os anorexígenos são uma ajuda transitória e o risco de voltar ao peso original é muito grande. "Ninguém aguenta ingerir estas drogas por muito tempo. O ideal é que as pessoas se organizem para comer menos", diz, reforçando que a posição da SBC é de manutenção da proibição dos derivados da anfetamina. (S.L.)

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