Guaraci – A vida dos 5,2 mil moradores de Guaraci (Região Metropolitana de Londrina) segue um ritmo típico das pequenas cidades do interior do Paraná: tranquilo e em paz. Basta uma pequena caminhada pelas ruas para encontrar grupos de pessoas em um descontraído bate-papo.
De acordo com o delegado Maurício de Oliveira Camargo, as principais ocorrências registradas na cidade são de furtos e violência doméstica. "Realmente é um município tranquilo. Mas nos últimos meses estão acontecendo arrombamentos a caixas eletrônicos", informa Camargo.
O último homicídio aconteceu em 6 de setembro de 2009. E por ser um acontecimento raro, chocou a população local. "No fim do ano fiz uma retrospectiva dos principais fatos da cidade e o assassinato foi o mais lembrado pelos moradores", contou o servidor público Alison Rodrigo da Silva, de 24 anos, que também edita o jornal local Terceira Opinião.
Joelma dos Santos Silva, de 20 anos, que na época estava grávida de sete meses, foi estrangulada com um pedaço de madeira. O corpo, parcialmente nu, foi encontrado no campo de futebol da cidade. Um suspeito está preso, porém não assumiu a autoria do crime. O motivo do assassinato seria uma dívida por uso de drogas.
Para o comerciante Aparecido Benedito dos Santos, de 64 anos, que morou a vida toda na cidade, Guaraci é um lugar de paz. "A gente se sente bem tranquilo, apesar de termos apenas um policial militar. Na década de 1980 havia grupos que agiam aqui na região no roubo de gado e cargas de café. Mas hoje é tudo muito sossegado", lembra Santos, que foi secretário municipal entre os anos de 1983 e 1988.
"Aqui não tem violência, não. A gente sai de casa e deixa tudo aberto, as portas e as janelas, e não tem problema. Eu gosto muito de morar aqui. Criei todos os meus seis filhos na cidade e vou ficar até o fim da vida", relata a dona de casa Maria Madalena Behlan, de 63 anos.
Em Miraselva (Região Metropolitana de Londrina), segundo o delegado Elisandro de Souza Correia, foi registrada apenas uma tentativa de homicídio nos últimos cinco anos. "A maioria dos boletins são de pequenos furtos e violência doméstica. Têm ocorrido também arrombamentos a bancos, como em muitas cidades do interior", ressalta.
Para quem mora na cidade de 1,8 mil habitantes, a tranquilidade é a grande marca do município. "Aqui é a melhor cidade para se morar na região", garante o trabalhador rural Armindo da Silva, de 49 anos. "Miraselva é calma, pacata e a violência ainda não chegou. É uma referência de paz e tranquilidade", aponta o comerciante Edno Moreira, de 59.
Até de quem já foi vítima da violência, o município recebe elogios. O aposentado Cesário Pereira da Silva, de 70 anos, viu o irmão, Antônio da Silva, ser morto a pauladas no caminho de casa em 1989, aos 65 anos, por dois homens. "Nós tínhamos vendido uma carga de café e os bandidos acharam que ele estava com o dinheiro. Mas o dinheiro estava comigo. Ele morreu de graça. Era um homem bom", lamenta. "A cidade é boa, pequena e bem tranquila. A vida aqui passa mais devagar e é bom porque não estou com vontade de morrer logo mesmo", brinca o aposentado, que reside há 36 anos em Miraselva.(L.F.C.)

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