Na última quinta-feira, os pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) concluíram a segunda etapa do projeto de identificação dos sítios arqueológicos da linhas de transmissão de Furnas, no Paraná e São Paulo. A pesquisa consiste no resgate do material arqueológico encontrado na região e iniciou em 1999. Foram reconhecidos 366 sítios, numa faixa de 272 quilômetros entre Ivaiporã (110 quilômetros de Apucarana) e Itaberá, em São Paulo.
Um levantamento preliminar aponta peças que pertenceram a comunidades miscigenadas, como de índios e europeus, e de influência jesuítica. Os objetos foram encontrados ao longo de diversos rios que passam pela região. Trata-se de uma linha estreita, de cerca de 90 metros de largura. É um traçado que corta vales fluviais perpendicularmente, o que favorece a preservação dos vestígios arqueológicos.
O diretor do Cepa, Igor Chmyz, explica que os rios sempre foram vias de comunicação entre as regiões e hoje guardam fortes vestígios do movimento migratório das sociedades antigas. O trabalho de identificação dos locais que contêm esses vestígios durou aproximadamente três meses e consumiu orçamento de R$ 300 mil. Já o resgate do material arqueológico é um trabalho que leva mais tempo, consumindo um orçamento muito mais salgado. Até 2005, quando o resgate dos objetos deve ser concluído, cerca de R$ 1 milhão devem ser investidos. A pesquisa é financiada pela empresa de energia Furnas Central Elétrica S/A.
Nessas pesquisas, o trabalho do arqueológo pode ser comparado ao do detetive. Demanda tempo para isolar a região e resgatar os mais variados vestígios materiais deixados pelas sociedades antigas. Todo o trabalho de pesquisa realizado, bem como os materiais encontrados, é documentado e se transforma em uma publicação que é distribuída para as bibliotecas e centros especializados em arqueologia do País.
O Cepa também está desenvolvendo a identificação de sítios arqueológicos encontrados na BR-376, entre Mauá da Serra (54 quilômetros ao sul de Apucarana) e Imbaú (104 quilômetros ao norte de Ponta Grossa). O trabalho é anterior às obras de duplicação da rodovia. No trecho, foram encontrados 68 sítios, mas segundo os pesquisadores da UFPR, muitos deles estão danificados e não oferecem condições de resgate dos vestígios. (K.M.)

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