UEL passa por pior 'ameaça de crise'
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sábado, 01 de setembro de 2001
Luciano Augusto<BR>De Londrina 
Para o reitor interino da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Gordan, a instituição passa pela ''maior ameaça de crise'' em seus 30 anos de história. Ele assumiu a universidade depois que o ex-reitor, Jackson Proença Testa, foi afastado do cargo por suspeitas de irregularidades em contratos publicitários e superfaturamento de obras. Em 23 de agosto, Testa pediu exoneração do cargo de reitor e demissão do cargo de professor.
Gordan afirma que, mesmo diante das denúncias, a universidade conseguiu manter sua condutibilidade administrativa, realizou o vestibular de inverno normalmente e continuou atendendo a comunidade. ''A ameaça de crise não se consumou como uma crise grave, porque a universidade não parou''. Além disso, segundo Gordan, a UEL conseguiu transpor o ''momento traumático do afastamento de um reitor e mostrou maturidade para resolver seus problemas''.
Sobre as críticas de que a universidade estaria engessada por uma política governamental, ficando atrelada aos dizeres estaduais e sem autonomia de gerenciamento, Gordan é enfático: ''Ninguém nem nenhum governo dá autonomia; ela própria (a universidade) é quem tem que tomar''.
Atualmente, o Estado se responsabiliza somente pela folha de pagamento das universidades e faculdades estaduais. Em relação à UEL, o governo estadual destinou R$ 109.612.421,00 em 2000 para cobrir os gastos com pessoal e encargos trabalhistas, o que para Gordan é suficiente, já que é partidário de que as instituições devem ''produzir meios para sua própria sobrevivência'', independente do Estado. Os gastos com custeio da máquina, no ano passado, foi de R$ 33.393.223,03.
Por meio de suas próprias fontes prestação de serviços, taxas, vestibular, entre outras a universidade captou R$ 30.158.454,05 em 2000, enquanto que os convênios com órgãos municipais, estaduais, federais e internacionais somaram R$ 3.512.150,81 no mesmo período e o Tesouro Federal contribuiu com outros R$ 11.108.786,98.
Já os investimentos em pesquisa destoaram das cifras acima e foram os mais prejudicados no ano passado. Durante os 12 meses de 2000, apenas R$ 728.754,27 foram investidos na área. Gordan acredita que o incremento da parceria com a Fundação Araucária de fomento à pesquisa pode ajudar a reverter esse quadro.
O orçamento anual realizado em 2000 atingiu R$ 144.779.391,84. A UEL conta com 13.368 alunos de graduação e outros 2.188 alunos pagantes nos cursos de pós-graduação. O custo médio por aluno de graduação em 2000 foi de R$ 342,73 por mês, incluindo folha de pagamento e despesas de custeio. O aluno mais caro foi o de Medicina, com custo de R$ 2.724,25 mensais, e o mais barato foi o de Ciências Econômicas, que custou R$ 110,72 ao mês.
Outro ponto bastante criticado na gestão do ex-reitor Testa e que inchou os gastos da instituição foram os cargos comissionados preenchidos por indicação sem necessidade de concurso público. Gordan aponta que quando assumiu interinamente a reitoria da UEL haviam 33 cargos comissionados. Ele assegura que atualmente esse número não passa de 20, porque alguns ocupam cargos técnicos e demiti-los traria ainda mais prejuízo.


