A poucos quilômetros de Tibagi e do Canyon Guartelá está Castro (Campos Gerais). Com cerca de 67 mil habitantes, a cidade surpreende pelo potencial turístico, sendo perfeita para quem quer estender a viagem e aproveitar para conhecer um pouco mais da história do município, do Paraná e do Brasil.

A dica é começar o passeio pela Fazenda Capão Alto. O local data de 1704 e em meados de 1730 virou ponto de parada dos tropeiros, que viajavam do Rio Grande do Sul até Sorocaba, em São Paulo, e aproveitavam as margens do rio Iapó (o mesmo que corta os desfiladeiros do Canyon Guartelá) para montar acampamento e descansar.

Hoje, a fazenda conta com um grande casarão construído anos mais tarde (por volta de 1860) e ruínas de várias outras construções que não resistiram à ação do tempo. Quem chega ao local é recepcionado por João Klempovus, o "seu João", uma atração à parte. Com 60 anos, e trabalhando há 12 na fazenda, ele é o responsável pela manutenção do local e por guiar os turistas. É de chapéu e, muitas vezes vestido de tropeiro, que ele recebe os visitantes para contar as histórias da Fazenda Capão Alto. O cigarro de palha na mão também é marca registrada e ajuda a compor o "personagem" de seu João, que logo cativa os turistas. É ele quem aponta e chama atenção para cada detalhe da fazenda, que encanta o visitante, ora pela história, ora pela narrativa (leia mais nesta página).

No casarão, as paredes de taipa, construídas com barro, as pinturas feitas a mão e ricas em detalhes e os azulejos portugueses originais surpreendem. Ainda assim, é possível ver as marcas que o tempo deixou no local, que em 1983 foi tombado pelo Governo do Estado (e hoje pertence a um empresário), mas que nunca recebeu obras de revitalização ou de preservação. A fazenda, que hoje se resume a uma área de 17 hectares, tem ainda um estábulo aos pedaços, uma antiga casa do capataz e as estruturas de barro no local onde um dia esteve a primeira igreja de Castro, a capela de Santo Antônio, padroeiro dos tropeiros. Além das construções, árvores gigantes com mais de 200 anos complementam a paisagem. Há ainda uma árvore de cerca de 500 anos, de tamanho impressionante, que caiu no meio do matagal depois de apodrecer após ser atingida por um raio, e que foi "resgatada" para ser exposta aos turistas.




Destaques

Segundo a história, a Fazenda Capão Alto tinha tudo para ser o local onde o povoado de Castro teve origem. Porém, a propriedade foi repassada para alguns padres, que expulsaram e proibiram a permanência dos tropeiros. O grupo, então, partiu para onde hoje está o centro histórico de Castro e fundou o povoado.
É este local que atualmente abriga o Museu do Tropeiro, a Casa da Sinhara e a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Sant’Anna, além de outros pontos turísticos. O Museu do Tropeiro é um dos destaques da cidade. O acervo fica na casa mais antiga da região, com cerca de 200 anos. O local é tão antigo que atualmente passa por obras de recuperação. Enquanto a casa permanece fechada aos visitantes, a exposição será transferida para a Casa da Praça. O Museu do Tropeiro foi criado em 1977 e tem mapas, documentos, móveis e objetos da época. São mais de 1.400 peças que formam o museu mais completo do país sobre o tropeirismo.

Já a Casa da Sinhara é uma extensão do museu e retrata a vida da mulher na época dos tropeiros. A exposição com objetos, roupas, louças e outras diversas peças (a mais antiga com 200 anos de idade) funciona na segunda casa mais antiga de Castro. Para entrar é preciso vestir uma espécie de chinelos de pano para preservar o chão do local. Já a Igreja de Sant’Anna, que teve a construção iniciada por escravos no século XVIII, tem como destaque os lustres de cristal doados por D. Pedro II.

Serviço
A Fazenda Capão Alto fica aberta para visitação de terça a domingo, das 8h às 18h, e tem um custo de R$ 5 por pessoa. Mais informações sobre Castro no site www.castroonline.com.br


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