Faltando três meses para começar a realizar o sonho de passar um ano viajando ao redor do mundo, Themys Cabral e Robert Nespolo, ambos com 31 anos, chegaram a desistir de tudo. As passagens para os Estados Unidos já estavam compradas, mas a economia brasileira se deteriorando a cada dia e o valor do real se desmanchando em relação ao dólar foram os motivos que fizeram os curitibanos repensarem a aventura. Mas a "desistência" durou apenas três dias. "A gente falou: vai ter que ser agora", lembra Robert, que é professor de química em cursinhos pré-vestibulares da capital paranaense. Ele explica que foi preciso fazer um ajuste fiscal na programação, diminuindo a média diária de gastos. "Nós desistimos de algumas coisas para não desistir da viagem", conta.

Foi assim que, depois de quatro anos planejando a jornada, no dia 15 de dezembro de 2015 Themys e Robert se tornaram o casal Sem CEP e todos os detalhes da aventura estão sendo mostrados em um blog, na internet (semcep.com.br) e pelo facebook. Themys é jornalista e advogada e explica que não é fácil tomar a decisão de deixar para trás emprego, uma vida estável e a convivência com a família. A viagem começou por Nova York (EUA) e o retorno para o Brasil está previsto para novembro de 2016. Rússia será a última parada.

A realização desse sonho envolveu muita dedicação e economia. Do salário mensal, os dois guardavam uma parte para a viagem. Eles abriram mão de alguns confortos, como carro melhor e casa maior. No roteiro, além de Estados Unidos e Rússia estão Japão, China, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja, Índia, Emirados Árabes Unidos, Tanzânia, Egito, Israel, Jordânia, Turquia, Grécia, Itália, Suíça, Espanha, Marrocos, Portugal, França, Inglaterra, Irlanda, Holanda, Alemanha, Polônia e Finlândia. A ideia de conhecer o mundo surgiu depois que os dois passaram férias em Cuba e experimentaram um tipo diferente de hospedagem, ficando um dia na casa de um morador local.

Eles gostaram tanto que agora pretendem também se hospedar na casa de amigos ou amigos de amigos, além de buscar acomodações em sites como CouchSurfing e aplicativos como o Airbnb. O casal conversou com a FOLHA, por meio do WhatsApp, no dia 29 de dezembro, enquanto viajava de São Francisco para Los Angeles, na Costa Oeste dos EUA. "Largar a família é definitivamente o mais difícil. Em relação a emprego, dá medo também. Querendo ou não você larga a sua carreira, não sabe como vai ser a volta. Mas o que a gente pensou, foi o seguinte: não queremos depois de já velhinhos olhar para trás e não ter feito isso, não ter vivido essa experiencia, essa emoção", resume a jornalista. E o marido complementa: "Essa sensação de que todo o dia é sábado é maravilhosa. Nossa única preocupação é o que a gente vai fazer hoje. Isso acaba compensando todos os outros medos".

Robert faz um cálculo simples para convencer de que não é loucura passar um ano "mochilando" pelo mundo. "Em média, uma pessoa vive 80 anos. Se você separar um ano para viver só pra você, isso dá 1,25% dedicado à sua vida. É muito pouco", ressalta. Uma das principais dificuldade dessa viagem, na opinião do professor, é ajustar o orçamento diário. Dificuldade que acaba sendo pequena diante da grandiosidade dos cenários e das diferentes pessoas e culturas que eles querem conhecer.

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