Trinta vezes mais mortais
No final de 2005, de acordo com o Ministério da Justiça, havia no Paraná 1.169 mulheres presas. Em dezembro de 2011, o número mais que dobrou, atingindo 2.443 detentas. Além do crescimento absoluto, na estratificação por tipo de crime o aumento no número de mulheres é expressivo em modalidades que envolvem violência. Os latrocínios cometidos por mulheres, por exemplo, cresceram 30 vezes, superando o índice masculino, que aumentou duas vezes.
No roubo qualificado, a prática por mulheres cresceu 46,4 vezes, contra o incremento de 6,4 vezes entre os homens. Em relação ao roubo simples, o volume de detidas triplicou entre 2005 e 2011, passando de 8 para 25. Entre os homens o crescimento foi de 2,7 vezes. A maior diferença, porém, continua sendo observada no tráfico de drogas, que aumentou 3,76 vezes entre os homens e 58 vezes entre as mulheres.
A promotora Maria Esperia Costa Moura, da área de Execuções Penais do Ministério Público Estadual (MPE), cita que o perfil da população carcerária feminina no Paraná é composto por maioria de mulheres jovens - entre 18 e 29 anos -, brancas e com ensino fundamental incompleto. Grande parte foi presa por tráfico. Muitas são primárias e pegas com pequenas quantidades de drogas, mas há casos de associações com o marido na prática do crime, como se fossem empresas familiares. ''O homem é preso e a mulher assume a distribuição da droga'', explica.
A promotora não arrisca apontar uma causa para o aumento no número de mulheres presas, mas acredita que o crescimento no consumo de drogas pode estar influenciando as estatísticas. ''Aumenta a procura por drogas e, consequentemente, a necessidade de pessoas para trabalhar na venda.'' Uma vez presas, as mulheres criminosas vivenciam o abandono pelos companheiros e pelas famílias. ''Sessenta e dois por cento não recebe visitas familiares'', aponta.
No ano passado, em relação a 2010, houve uma pequena redução - de 1% - nas reincidências. Maria Esperia credita a queda à atenção especial destinada às detentas. Um exemplo é a creche, instalada em estrutura separada do complexo penitenciário feminino e com atendimento classificado como ''modelo'' no País. ''Apenas 16,3% dos estados brasileiros possuem creches para atendimento dos filhos das presas, e o Paraná é um deles'', enfatiza. Além disso, há investimentos em atendimento ginecológico e na profissionalização das detentas. (C.A.)





