O pensamento suicida é um tema recorrente entre os atendimentos telefônicos realizados pelos voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Londrina. A coordenadora do serviço, Márcia Edilene Cortes de Almeida, informa que grande parte das pessoas que recorrem à conversa telefônica demonstram que tiveram dificuldade de conversar e ser ouvidas nos círculos onde convivem. A média de atendimento é de 700 ligações mensais. "Muita gente também liga para contar coisas boas, pois não tinha ninguém para compartilhar uma boa notícia", observa.
Márcia defende que escolas, igrejas e famílias também devem deixar um canal aberto para que o assunto seja abordado. "As pessoas que recorrem ao CVV sabem que não serão julgadas", diz.
A lógica dos atendimentos baseia-se em abrir espaço para a fala e, assim, ajudar quem está angustiado a organizar os pensamentos. "Os problemas são permeados por sentimentos que devem ser postos para fora", acrescenta, lembrando que as dificuldades nunca vão deixar de existir. "O que precisa mudar é o jeito de encará-las."
Márcia percebe que o mundo atual predispõe à solidão. Além disso, situações como violência, competição e individualismo estimulam a autodestruição. "As pessoas ficam centradas na aparência e acham que o consumo vai preencher o vazio que sentem. Mas aí vem a necessidade de conviver com os outros e a depressão aparece", alerta, lembrando que, a cada suicídio, seis a dez outras pessoas são impactadas.
Ela lembra que a Organização Mundial de Saúde prevê que 90% dos casos podem ser evitados desde que existam condições de oferecer ajuda, seja ela voluntária ou profissional. Por isso, avisa que o CVV sempre precisa de voluntários. Para integrar a equipe, é preciso ter a partir de 18 anos, vontade de ajudar o próximo e também realizar o curso oferecido pelo serviço. Os voluntários selecionados após a formação realizam um plantão assistido e só depois disso estão prontos para o atendimento. Atualmente, o CVV conta com 18 voluntários que se dedicam por quatro horas semanais e um plantão extra por mês. "O ideal seria termos de 30 a 40 pessoas", contabiliza.
Uma das voluntárias do CVV é a aposentada Maria Ângela Moreira, de 65 anos. "Fico muito feliz quando sinto que consegui ajudar", diz

Serviço
O CVV realiza entre os dias 22 e 24 de setembro a Semana de Valorização da Vida, com palestras gratuitas sobre depressão e outros males, no Senac (Rua Raposo Tavares, 894), das 19h30 às 22 horas.
Telefone do CVV:(43) 3356-4111 ou 141

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