Londrina - Percorrer os trechos urbanos das duas principais rodovias que cruzam a Região Metropolitana de Londrina se tornou uma aventura de alto risco. Somente neste ano, na BR-369, foram 19 mortes entre Ibiporã e Arapongas. Na PR-445, quatro pessoas morreram apenas nos 15 quilômetros que ligam o novo viaduto do Conjunto Jamile Dequech ao entroncamento com a BR-369.
Aumento da frota de veículos sem a ampliação equivalente da estrutura rodoviária, associado à imprudência dos motoristas e à convivência nada pacífica entre condutores domésticos (moradores de bairros e cidades vizinhas) com o tráfego pesado da rodovia, revelam-se uma mistura fatal.
Nos 200 quilômetros da BR-369 sob fiscalização da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Londrina, as estatísticas também assustam. No trajeto entre Cambará e Arapongas, o número de mortes cresceu 54% no primeiro semestre de 2012, em comparação ao mesmo período do ano passado - 34 vítimas fatais.
No percurso, os perigos de se trafegar na área urbana podem ser traduzidos em mais números registrados nos primeiros seis meses do ano. Nos 70 quilômetros onde se misturam os tráfegos de estrada e o da cidade, entre Ibiporã e Arapongas, aconteceram 78,6% dos acidentes, 69,9% do total de feridos graves e 54,2% das mortes. Em 2011, a situação era ainda pior. Os principais trechos urbanos da via concentravam 79,5% dos acidentes, 76,2% dos feridos e 74% dos mortos.
Na PR-445 (rodovia estadual que começa em Mauá da Serra e acaba em Primeiro de Maio), o trecho mais perigoso vai do KM 67 ao 82, no perímetro de Londrina. Em 2011, a parte urbana da via concentrava 56,5% dos acidentes, 50,4% dos feridos graves e 20,9% dos mortos das ocorrências na rodovia. No primestre semestre de 2012, esta proporção em relação ao total das ocorrências na estrada aumentou para 56,85% dos acidentes, 55,9% dos feridos graves e 28,9% das mortes.
Atropelamentos, colisões laterais e frontais são os principais tipos de acidentes que resultam em feridos graves e mortes. Vicente Zangirolani, inspetor-chefe do núcleo de policiamento e fiscalização da Delegacia de Londrina da PRF, destacou que até 15 de junho deste ano, na jurisdição de Londrina, as colisões frontais representaram 2,38% dos acidentes e 42% das mortes.
O número absoluto, sete pessoas que perderam a vida, equivale à mesma quantidade de mortes registradas por colisão frontal em todo o ano de 2011. O cenário motivou a PRF a iniciar um trabalho específico de inibição das ultrapassagens irregulares. Em pouco mais de um mês, foram aplicados 725 multas apenas por esse tipo de infração.
Já os atropelamentos, típicos de locais onde trânsito doméstico e rodoviário se misturam, resultaram em 13 mortes neste ano.
Para Zangirolani, a solução para reduzir o número de acidentes na rodovia federal já não depende da fiscalização, que é rígida e planejada ''para valorizar o bom motorista''. A necessidade maior é de ações que ele chama de ''engenharia de trânsito'', como a ampliação do número de faixas de rolamento, a construção de viadutos ou trincheiras para extinguir cruzamentos e instalação de estruturas para travessia de pedestres.
O subtenente Airton César Mendes, comandante do posto de Londrina da Polícia Rodoviária Estadual, enfatizou que a maioria dos envolvidos em acidentes são pessoas que percorrem locais próximos às suas casas e, por isso, estão mais relaxadas e desatentas ao trânsito. Ultrapassagens e travessias mal calculadas, excesso de velocidade e manobras em locais não permitidos são os fatores que mais aumentam as estatísticas de acidentes e mortes nas rodovias.

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