Os haitianos buscam na fé e na família a força para lutar por uma nova vida no Brasil. Robinson Clervoyan destaca como principal objetivo trazer a esposa para morar com ele em Paranavaí. Pai de quatro filhos, ele traça como meta reunir toda a família na cidade paranaense. "É muito importante para mim. Sou cristão e o cristão não pode cometer pecado, o cristão precisa ficar com sua mulher".
Visto como um "líder" dos haitianos em Paranavaí, Fenelon é enfático quando lembra da família. Com os olhos cheios de lágrimas, conta que se no prazo previsto não conseguir o visto de permanência, volta ao Haiti para buscar a esposa e os filhos. "Prefiro sofrer aqui para que minha família não sofra no Haiti".
É no contato com a família que eles relatam os principais problemas. A comunicação é o principal empecilho. Tanto Robinson quando Fenelon reclamam que é inviável conversar com as esposas por celular. "Você coloca crédito e não consegue conversar mais do que dois minutos", diz o primeiro.
O meio-oficial de obra revela também o problema para enviar dinheiro. Além de arcar com as despesas em Paranavaí, a cada remessa de dinheiro, pagam uma taxa de R$ 50 pelo serviço, independente do valor enviado. E ainda precisam fazer isso em Maringá. Outro fator agravante, é que a moeda corrente no país caribenho é o dólar. Assim, o dinheiro que eles ganham no Brasil acaba ficando ainda mais desvalorizado.
Nem mesmo a viagem, nem mesmo o trabalho pesado, nem mesmo a dificuldade para manter contato com a família desanima os haitianos. Robinson já decidiu que vai permanecer no Noroeste. "Fui muito bem recebido, as pessoas são simpáticas e me tratam bem. Nunca passei por qualquer tipo de preconceito. Quero trazer minha família para morar aqui".
A esperança, depositam nas mãos do pastor Zedequias Cavalcante. Foi ele quem abriu as portas de sua igreja para que os haitianos se reunissem. Todos os domingos os imigrantes se encontram na Assembleia de Deus para participarem de um culto feito à maneira haitiana. "Eles fazem a celebração da maneira deles, tudo em crioulo haitiano e com músicas de lá. É muito bonito de ver a fé que eles têm", comenta Zedequias. Para que ninguém fique fora, o pastor conseguiu ainda um ônibus para transportar os haitianos de casa até a igreja.
A grande missão do pastor, no entanto, é trazer a família dos haitianos. Ele falou à reportagem que busca com empresários financiamento para que os estrangeiros consigam pagar o visto dos familiares no Haiti e evitar a longa jornada até o Acre.

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