Por preconceito e falta de oportunidades, grande parte das travestis acabam fazendo da prostituição seu ganha pão. À margem da sociedade, são relegadas de direitos mínimos, além da desinformação que as cerca. Diretora-presidente da Associação de Travestis de Curitiba - Transgrupo, Carla Amaral diz que as lideranças incentivam que as travestis que trabalham como profissionais do sexo paguem uma previdência, mas tudo é ainda muito incipiente. ''Essa população é muito flutuante, não tem parada fixa. Além de ter pouquíssima ou nenhuma informação.''
De acordo com ela, a conscientização das travestis de que vão chegar à terceira idade pode ajudá-las a pensar no futuro. ''A falta de perspectiva de vida prolongada, devido ao alto índice de homicídios, violência e drogas que permeiam a realidade de muitas, faz com que as sobreviventes não planejem a terceira idade. Como a maioria delas não têm mais nenhum contato com a família, acabam pagando o preço de não ter uma aposentadoria'', revela.
Para Carla, a regulamentação da prostituição garantiria direitos às travestis, enquanto a sociedade não as acolhe. ''Elas estão mais vulneráveis a infecções, traumas de violência. Receber um auxílio-doença quando não puderem trabalhar e uma aposentadoria quando mais velhas é o mínimo que um ser humano deve ter.'' Ao mesmo tempo, ela destaca a importância do desenvolvimento de políticas públicas para inseri-las no mercado de trabalho formal. ''Gostaríamos que a prostituição não fosse a primeira ou única opção delas.'' (M.T.)

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